Você tem fome de quê?

11/12/2015 20:18

 

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Sempre gostei de música. Por isso tento associar tudo que faço a variados “acordes do bem”. Tanto é que o título deste texto faz referência à música dos Titãs que se chama comida. Quem é da minha geração, já sacou, com certeza. Mas este texto fala mesmo é de merenda, rango, papá, grude, variações do mesmo tema, caso você queira servir-se. Perdoe-me pelo trocadilho.

Zapeava pela TV quando parei num programa de culinária “do futuro”, nada fast food: Comidinhas que nós, simples mortais e zumbis da correria diária, deveremos provar em uma data não tão próxima. Confundi você? Na verdade, uma refeição a que todo cidadão que paga seus impostos, deveria ter direito: Limpa, livre de agrotóxicos, não-transgênica, saudável e gostosa.

Contudo, o ogro colunista que vos relata havia tido um dia cheio e decidiu realizar um sonho que há meses invadia lhe a mente e o estômago: Comer justamente o contrário, ou seja, hambúrguer, batata frita e beber coca-cola. Quer mais capitalista, imperialista, industrialista do que isso? Pois é. Peguei o celular e fiz o pedido. Enquanto esperava, minha boca transbordava de saliva, tal qual o lobo prestes a comer sua caça, daquele desenho animado antigo. Seria um prelúdio de um orgasmo degustativo?

Ao pegar o pacote, dei de cara com um refrigerante geladinho, uma batata frita contendo quantidade exata de sal e na temperatura perfeita. E, claro, um hambúrguer sorrindo pra mim. Sentei-me e, ao comer, parecia Cronos a devorar seus filhos (você já viu este quadro? Veja. Recomendo demais). Comi tão rápido, mas tão rápido que o estômago logo pareceu alojar um saco de cimento. Não parecia uma pessoa normal naquele gesto quase canibal. Gula? Culpa? Ansiedade? Sim e não.  

Não, porque não como, de forma alguma, este menu todos os dias, nem toda semana, nem todo mês. Não também, porque pedi o refrigerante menor e o sanduíche mais simples. E sim, porque não deveríamos consumir comidas tipo fast food. Os jovens obesos estadunidenses já nos mostraram as consequências. Sim também, porque comi rápido demais e isso explica o motivo de eu ter ficado zonzo por alguns instantes. Qual a solução? Não sei. É uma armadilha poderosa esta indústria alimentícia. Admito e dou a mão à palmatória.

A resposta talvez seja conscientização. Não coma isto todos os dias, nem toda semana; Prefira não pedir batatas: Combos fazem mal para sua saúde e seu bolso; Troque o refri por um suco natural, que não seja “néctar” e te inunde de açúcar; Coma devagar e respire profundamente. O mundo não acabará na derradeira mordida. E por último, mas não menos importante: Ao invés de amar tudo isso, ame sua saúde e seu corpo.

Abraço sincero!!!

(Eduardo C. Souza  é professor de História e escritor- autor de Memórias de um Homem quase sensato. Escreve mensalmente neste espaço e te indica o antigo, porém esclarecedor documentário SUPER SIZE ME. Assista...)