Uma manhã fria,mas especial.

08/03/2013 15:05

 

          

                 Foto: Lucas Lacerda - Lapinha da Serra (MG)

 

         Era uma manhã fria como todas as outras. Mas uma manhã especial... Era a manhã da viagem de formatura. Acordei cedinho para me arrumar e , apesar de ter ficado acordado até muito tarde no dia anterior, acordei bem. Afinal, essa era uma manhã especial. Bem, bagagens arrumadas,  café bem-tomado e grande expectativa para a viagem que toda a oitava série tanto esperou. Chegou o grande dia. Mas para mim, especialmente, o dia se tornaria decisivo.

         Minha mãe havia dito que iria me levar e eu, como bom filho, concordei. Em meio ao papo do caminho, vimos um carro vermelho passar e dentro dele uma menina que iria fazer a tal da prova do Coluni. Comentei algo do tipo com a minha mãe e daí pra frente tudo mudou... Deu nela a ideia de me inscrever na tal disputa pelas vagas dessa escola, e foi dito e feito. Eu deixei bem claro que eu não estava disposto a virar as noites estudando para passar, mas mesmo assim ela depositou sua confiança em mim.

         Viajamos até um grande "acampamento", e lá passamos alguns dias até voltarmos. Foi uma viagem incrível e eu até me esqueci da prova. Passaram semanas e meses, e a data da prova foi se aproximando. A ansiedade também um pouco. Há poucas semanas da prova, resolvi dar uma checada no conteúdo e consegui fazer o download da prova do ano anterior. Realmente era algo de fritar a cabeça, mas eu fui muito bem e isso me deu segurança para ir para a prova.

         É então que chega o grande fim de semana. Dia 1 e 2 de Dezembro, sendo no primeiro dia uma prova com questões de múltipla escolha e no segundo uma prova aberta. Lá vou eu pegar a estrada com um grande amigo - o Lucas - e meu pai. Fomos ficar no apartamento de um primo mais velho, que nos recebeu muito bem em sua casa. Ele nos guiou pela UFV e assim ficamos conhecendo os pavilhões e todos os setores. Depois disso almoçamos e compramos lápis e canetas pretas.

         Chegando lá havia uma multidão na porta. Eram mais de 2.000 candidatos para apenas 150 vagas! Uhh que frio na barriga! Mas eu estava muito tranquilo, assim como meu amigo. Deu a hora, entramos e cada um foi para sua sala. Depois de quase 2h de prova, nos encontramos lá fora com meu pai e meu primo. Foi dura e cansativa... Voltamos pra casa, assistimos uma comédia e fomos dormir. O dia seguinte seria decisivo.

         Acordei cerca de 10h da manhã, tomei café e fiquei conversando na cozinha. Lucas acordou e foi para a cozinha também. Na hora do almoço, não conseguimos encontrar um lugar que não estivesse lotado, mas por sorte encontramos dentro da universidade um lugarzinho interessante e tratei de me informar onde eu poderia assistir o jogo do galo após a prova.

         A prova aberta foi mais difícil, mas me dei bem na redação, o que me ajudou bastante. Depois da prova, encontrei o Lucas e fomos rumo ao lugar que transmitiria o clássico, onde estava meu pai. Jogo suado - 3x2 pro Galo e o Ronaldinho ainda perdeu um pênalti! Mas a vitória sobre o cruzeiro no fim da tarde veio pra fechar com chave de ouro aquele que se transformaria no grande dia.

         Bastante tempo se passou, e as expectativas cresciam. Muitos diziam que eu havia passado, outros não tinham tanta confiança, mas eu só acreditaria quando saísse o resultado. E ele resolveu sair numa quinta, naquele tal último dia do planeta Terra - Dia 21 de Dezembro de 2012. Confesso que eu achava mais provável o mundo acabar do que eu passar no Coluni. Na verdade eu pensava que poderia acontecer os dois.

         20 de Dezembro de 2012. Estava com um primo mais velho - e padrinho - em uma cidadezinha muito interessante chamada Lapinha. Cidade simples, com difícil acesso à telefonia celular ou orelhões, mas cheia de beldades naturais. Estávamos a caminho de uma das mais bonitas cachoeiras da região, mas uma das mais difíceis de chegar - meia hora de carro em uma estrada sinistra e mais 3 horas de caminhada. Poucos sinais antrópicos pelo caminho. Mas o esforço vale sempre a pena. Na volta, chegamos à caminhonete mortos, foi muito cansativo (mas ainda assim valeu a pena) e no meio do caminho, após passar uma poça um tanto quanto grande, a caminhonete começou a acelerar e a única alternativa foi puxar o freio de mão. Depois de muito pensar, lamentar, e imaginar, decidimos olhar o motor e descobrimos o problema - uma pequena trava no cabo do acelerador. Ufa! Voltamos para a casa, preparamos a comida, conversamos fiado, olhando para a lagoa e enfim dormimos.

         21 de Dezembro de 2012. Estava acordado há algum tempo e perplexo por não ter presenciado o fim do mundo. Fomos ao lote do meu primo fazer o checkup de suas plantas e voltamos para casa. Nem me lembrava daquela prova. Estávamos arrumando as coisas para voltar à Belo Horizonte e fomos pagar o Zé Dias pela casa quando ele me dá uma notícia:


    -Sua mãe mandô dizer que ela passou naquele tal concurso! Ah! Tava muito feliz!


    Eu fiquei pensando: "Concurso, mas que concurso?" Tinha até me recordado de um concurso que ela tentou fazer, mas não fazia sentido, afinal ela estava trabalhando na universidade há algum tempo...
    Foi então que me veio tudo na cabeça: "Eu...passei."
    Com um sorriso na cara, eu disse ao Zé:
    - Ahh, que bom! - e baixinho - "o Coluni..."

    Meu primo explicou então para o Zé do que se tratava, e ele veio me dar um aperto de mão e dizer:


    - Meus parabéns! - então virou-se e foi embora.

 

Lucas Lacerda.