Todo amor que há nessa vida.

29/12/2015 17:47

 

 

“Mãe! Pai! Façam pose pra foto!”, gritei quando vi meus pais observando um árvore do jardim da casa de um parente nosso, na tarde de natal. “Vem cá, Juca, olha pra câmera ali. Para de me beijar e faz pose, Juca! Vai atrapalhar a foto!”, minha mãe bravejava entre risos enquanto meu pai beijava seu rosto com o jeitão meio atrapalhado dele. “Não, mãe, pode deixar! Tá perfeito assim!”. E uma hora depois dessa foto eles discutiram. Uma hora e meia hora depois da foto, meu pai abraçava minha mãe enquanto dizia carinhosamente: “ô minha dona, fica brava comigo não”. “Você me faz muita raiva, Juca, nossa senhora!” dizia minha mãe emburrada tentando pegar toda raiva pra não desculpar tão fácil assim. “Mas você sabe que eu sou apaixonado por você, lulu!”. Minha mãe fez aquela cara de “estou tentando continuar brava com você”, mas assim que me pai vira as costas, ela abaixa o rosto e dá um sorriso bobo de tudo. Acreditem em mim, essa cena não é exclusiva do natal, eles “brigam” assim quase todo dia, mas eu tenho certeza que um olha pro outro assim, igual na foto, toda hora, aliás, todo minuto em que estão juntos.

Meus pais não tem um amor tão tranquilo assim, com certeza não é tedioso, é mais conturbado e divertido do que uma montanha russa. O amor deles não preenche nenhum vazio, transborda com todos excessos de emoções. Eles não vivem sonhos separados, eles aprenderam a dividir tudo, sonhos, realidade, direitos e deveres. O amor deles com certeza não tem tamanho, não cabe dentro do peito, então exala em sorrisos. A história dos dois mudou complemente quando se conheceram, não era nada do que o outro esperava e idealizava, mas era melhor, era mais que o perfeito. E nem sempre o relacionamento é só festa e alegria, tem seus momentos difíceis, mas uma coisa eu tenho certeza que sempre foi assim e que nunca vai mudar: ambos acreditam, juntos, que o amor foi feito pra durar.

E eu acho que talvez, um dia, eu queira essa sorte. Não agora, estou muito ocupada vivendo meu egoísmo necessário de cada dia. Preciso de amadurecer muito antes disso, e se acontecer, eu quero que seja assim, nada de facilidade, transbordando tudo e alguns dias de calmaria. Um verdadeiro veneno “antimonotonia”.

 

Recomendo ouvir durante/após ler esse texto: Todo o Amor Que Houver Nessa Vida- Cazuza 

 

 

 

Maria Letícia, é uma jovem escritora, amante das artes e, na literatura especificamente, de autores como Alphonsus de Guimaraens e Vinícius de Moraes.