Somos escravos?

20/02/2017 18:49

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A escravidão, tal como a estudamos na escola, acabou. Pelo menos aquela que nos vem à mente, com africanos, pelourinhos, chicotes e afins. Ainda existe, sim, o chamado trabalho análogo à escravidão, que é um trabalho feito em péssimas condições sanitárias e de habitação, em que o trabalhador pode correr o risco ao deixar o local onde exerce suas atividades ou ficar preso em dívidas intermináveis. Este ainda pode ser visto nos rincões deste país de meu deus, ou mesmo em países asiáticos ou africanos, onde impera a lei do mais forte, e os cenários lembram as primeiras fábricas da Revolução industrial, iniciada no século XVIII na Inglaterra.

Mas existe outro tipo de escravidão, muito mais sutil, constante e “agradável”, aos olhos, aos dedos, ao ego, digamos assim. Ela nos acompanha diuturnamente e nos é lembrada pela mídia, por nossos próximos e porque não, pelo nosso inconsciente. Duvida? Vamos então a um rápido checklist. Mas atenção! Este texto pode provocar crises existenciais, ira e revolta contra este que vos escreve. Sem problemas, desde que reflitamos a respeito.

Você é daquelas que só sai de casa com cabelo e maquiagem impecáveis, mesmo que seja pra comprar o pão nosso de cada dia? Escrava da moda.

Você é daqueles que trocam de carro todos os anos, mesmo que seu reluzente sedan seja ainda novinho em folha? Escravo das montadoras de automóveis.

Você vai ao shopping, e enquanto não carrega nas mãos brilhantes sacolas das lojas mais chiques da estação, sente como se estivesse faltando algo? Escravo do consumo.

Se passar um dia sem acessar o Facebook, o whatsapp, ou qualquer rede social de sua idolatria, parece que você morrerá? Escravo da tecnologia da comunicação.

Você não resiste a um canal, site, ou posts daqueles bem quentes todos os dias, mesmo que sejam aqueles momentos rapidinhos e escondidinhos no banheiro do trabalho? Escavo da pornografia.

Você viajou e se esqueceu de levar o remedinho mágico pra dormir, e por isso nem curte o passeio direito? Escravo dos fármacos.

Você saiu com os amigos e, só porque não chapou os melões como eles, se sente inferior, ou como se não tivesse aproveitado a festa da mesma forma? Escravo da indústria de bebidas alcóolicas.

E aí, ficou triste ou chocado com o que está escrito? Talvez não, porque todos que lemos este texto, em algum momento ou característica, bem lá no fundinho da mente, se enxerga, ou se enxergou em algum tipo de escravidão, pelo menos alguma vez na vida.

E como proceder? Eu, você e o outro que está ao seu lado, somos humanos, passíveis de erros e exageros. O que não dá, é ficar repetindo o mesmo erro sempre, sacou? Somos essência. A pele que segura a make, a mão que segura o celular, as sacolas e o copo, irão embora dentro em breve. O essencial ficará. Valorize-o! Aprecie o que você tem aí dentro, dê uma banana pra essa mídia robô-consumista e seja feliz com menos. Eu posso, você pode. É isso...

Abraço cordial!!!

 

 

 

Eduardo C. Souza  é professor de História, escritor romancista, contista e cronista. Escreve mensalmente neste espaço.