Que me desculpem os velhos...

05/04/2015 22:12

 

    Que me desculpem os velhos, mas juventude é fundamental! E antes que os velhos comecem a me xingar, terminem de ler esse texto, porque os jovens de 50 anos vão se identificar!

 Estávamos eu e minha mãe na estrada ouvindo nossas amadas músicas do anos 80 e relembrando a adolescência dela (e é assustador o quanto nos duas somos parecidas, mas isso é assunto pra outro texto), sempre que a gente começa a falar dessa época, ela fala a seguinte frase “ai que saudade da minha juventude!”, e eu sempre respondo “mas a senhora ainda é jovem, ‘de Lourdes!’”. Não digo isso apenas pelo rosto de 35 anos da minha mãe, mas também, por ele ser realmente jovem, ainda ter aquele sorriso e frescor da juventude.

 Pra quem ainda não entendeu, a minha mãe tem 52 e não aparenta, não só por sua vaidade física, mas porque ela se recusa a envelhecer. Por mais que os anos tenham passado, ela tenha amadurecido, virado mãe de 3 filhos, professora e mestra, enfim, ter uma série de responsabilidades, ela ainda sai, dança, se diverte, conserva boas amizades e o melhor de tudo: não me impede de fazer o mesmo. Por mais que tenha sido necessário que ela amadurecesse, ela é do tipo que se sair comigo, é capaz de aguentar dançar mais do que eu. É do tipo que olha um “carinha” e fala: “nossa filha, aquele moço está te dando mole”. É do tipo que por mais que não tenha os meus “dezessetequasedezoito” anos, se diverte tanto quanto eu e entoa o seu hino de liberdade de alma jovem para que todos saibam que não é porque ela viveu uns anos a mais, que ela deve ser velha.

Não só a minha mãe, mas graças a Deus eu sou cercada por esses jovens adultos totalmente inspiradores. Eles fazem o que gostam sem se importar com os adolescentes mais ignorantes que poderiam vir a soltar o indiscreto comentário: “o quê esse ‘coroa’ está fazendo aqui?”, porque eles sabem que na verdade todos nós podemos manter essa chama, esse brilho da juventude por quanto tempo desejarmos.

Para ser sincera, meu maior medo é envelhecer, ficar rabugenta. Do trabalho pra casa, da casa pro trabalho, talvez eu veja meus amigos e minha família no fim de semana, talvez... parece até um pesadelo! Eu quero é ser infinita, ilimitada e eterna para mim mesma, e não quero isso só agora que estou no auge da minha juventude física, eu quero isso enquanto eu puder contar minha histórias, até porque, quem não renova o estoque de histórias pra contar, acaba sendo tedioso. Pra quem não sabe, o pior castigo de uma mente jovem, é o tédio.

Desejo aos velhos –tanto os de 15 até 70/80 anos- que vocês descubram o mais rápido possível como é bom ser feliz, independente e livre, como eu e todos os jovens nos sentimos.

Para esse pequeno texto, vou recomendar o hino clássico da juventude: Forever Young, da banda Alphaville.

 

 

Maria Letícia, é ex-aluna do CAOP, jovem escritora, amante das artes e, na literatura especificamente, de autores como Alphonsus de Guimaraens e Vinícius de Moraes.