Por Que Viajamos?

01/07/2012 19:04

 

 

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        Esta crônica, sábio leitor, não é uma experiência ou relato de viagem; até sinto muito por não sê-lo,  pois você que agora lê este texto deve ser e, tomara que seja mesmo, muito mais viajado que eu. Sem inveja, juro... Mas vamos às minhas divagações filosóficas acerca do motivo pelo qual fazemos as malas, mochilas, nécessaires, ou seja  lá o que for:

        Talvez seja  para provarmos de um mundo que não é o nosso e, por alguns dias, queremos que ele seja. Ou então, porque o nosso mundo esteja meio enfadonho e por isso precisamos dar uma pausa neste “rodo cotidiano” procurando por outro habitat para curtir, sentir e sermos um pouco mais felizes.

        Quem sabe seja para comprovar se o que dizem do lugar no qual chegamos é isso mesmo que vemos na mídia do turismo. Como diria o Paralamas do sucesso, às vezes o viajar já é mais do que a viagem, que é quando o caminho é tão lindo que, ao chegarmos ao destino, o que lá vemos é ínfimo ou decepcionante. Entre aí no seu cérebro e lembre-se daquele lugar que te disseram ser linnnnnndo e você nem achou tanto. Mas em compensação a estrada, o pôr do sol, as montanhas, o mar ao fundo... perfeito, não é ?...

        E na vida, o que vale mais: o processo ou o produto? O meio ou o fim? Fica como a questão do dia, ok?.

     Enquanto viajamos sonhamos com dias melhores, vemos culturas, cheiros, gostos, falas, roupas diferentes. Por vezes sentimos aquele desejo de “queria ter isso para mim”. Em outros momentos, a viagem é tão chata que ficamos aliviados quando voltamos para casa e vemos como somos felizes em nosso cantinho... mas é isso : na vida e nas viagens tudo é aprendizado, seja pelo amor ou pela dor, na alegria ou na tristeza e por aí vai.

    Nas viagens alguns mitos se desfazem. Se algum caso abaixo for o seu, pode rir, eu deixo. Vejamos:

  •   Mineiro perde trem? E avião?
  •  Nos porres homéricos que muitos adultos tomam nas praias, fica-se sempre de ressaca? Ou o mar dá aquela    ajudazinha?
  •  A neve é sempre linda e romântica?
  •  Todo brasileiro é educado e cordial?
  •  O GPS é a solução para os nossos problemas espaciais? Ou é melhor desligá-lo para nos sentirmos menos ansiosos e irritados com aquela voz chata?

 

        Mas no fim das contas, ao voltarmos damos de cara com a realidade nossa de cada dia e seja onde estivermos (sala de aula, escritório, laboratório, consultório ou em casa mesmo) vamos encarar o batente, angariar fundos – diga-se juntar mais grana! – para poder viajar de novo. E por mais que tentemos esquecer aquelas lindas imagens de praias, construções, serras, picos e avenidas, elas continuarão lá, bem guardadinhas na nossa mente.

        E aí começa tudo de novo: malas, estrada, aeroportos, hotéis, o mar, as noites estreladas, comidas diferentes...

        Viajemos, pois o que levamos da vida são experiências.

 

Abraço cordial e boa viagem!!!

( Eduardo C. Souza é professor de História e escreve mensalmente neste espaço.

Ele ainda não conhece a neve, mas acha viajar o máximo!)