O conto de Annie

24/06/2013 14:50
 
 
 
 
 

Desespero. Será que ela ao menos sabia o significado dessa palavra?

Ô minha menina, minha doce menina... Seus longos cabelos pretos combinavam com sua roupa de luto. Seus pequenos pés tocavam a ponta do penhasco. Ô minha menina, minha doce menina. Ela abriu seus braços, como asas prontas para voar, e voou em direção ao fim do penhasco. Ô minha menina, minha doce menina. Ela escutava essa voz, essa voz doce como a da sua falecida mãe. Ô minha menina, minha doce menina. Ela fechou os olhos e se preparou para o baque. Para o baque que não aconteceu. Mesmo de olhos fechados ela podia ver a luz que a envolveu e a fez pousar levemente sobre chão. Ela esperou a luz cessar e abriu os olhos e, no meio da floresta, ela pôde ver a luz que a protegera, mesmo desejando não ser protegida. A luz pairava a meio metro dela. Ela esticou seu braço e tentou tocar a luz que fugiu do seu toque. Ela a seguiu, correndo por meio de galhos, árvores e arbustos, até pouco antes de uma clareira onde a luz havia tomado a forma de uma mulher adulta. Ô minha menina, minha doce menina. Ela ouvia a luz dizer. Ô minha menina, minha doce menina, não posso tocá-la, se cuide minha menina, e eu prometo zelar por você até o dia em que nos veremos novamente. Nunca esqueça de que quem nos ama e quem nós amamos nunca estará distante.

A luz se dissolveu e ela continuou andando até a clareira onde seu pai esperava em seu acampamento, ao lado de uma fogueira. Ela o ouviu gritar com seu velho sotaque britânico:

-Annie! Onde você estava?!

 

Recomento ouvir durante/após ler esse texto a música Skinny Love – Birdy

 
 

 

Maria Letícia Nolasco é aluna do CAOP e escreve mensalmente neste espaço.