O que somos, afinal?

05/04/2015 21:30

                           Foto: https://economia.uol.com.br/

 

       A imagem choca? Foi de propósito. Você vai entender. Espero...

    Manhã de terça. Eu, cara de sono, trafegando atrás de um vagaroso ônibus, a subir num asfalto rodeado de eucaliptos. Cena até bonita, admito. De repente, passo por cima de uma massa de carne fétida e ainda úmida, espalhada pelo chão. Jazia lá, sem nenhum cuidado com o meio ambiente, muito menos com as caixas de roda do meu querido veículo. O cheiro de podre invadiu a cabine e eu logo perdi o sono com um enjoo que ameaçava me golpear. Como podem os animais serem tão maltratados, trucidados e mortos de forma tão cruel? Quem poderia ter feito isso? Pensei enquanto dirigia...

    Mas a resposta estava clara para mim: NÓS. Isso mesmo. Nós, que consumimos um monte de carne de bois, porcos, galinhas, rãs e outros. Todos os dias. Acontece que algum motorista de caminhão, simplesmente despejara o excesso de gordura animal que havia no veículo, para diminuir o peso. A culpa é realmente nossa, já que consumimos MUITA carne. Se esse não é o seu caso, “desconsidere esta mensagem”, como dizem nossos e-mails diários.

    Mas hoje não entrarei neste mérito; Prefiro voltar à questão do título deste texto: O que somos nós, senão um amontoado de carne, úmida, fétida - sim, porque nós fedemos! -  a apodrecer a cada dia que passa, em direção a um mesmo fim? Pois é. Somos carne. Por que será, então, que nos achamos carnes melhores que outras? Consideramo-nos salmão frente a outros lambaris? Ou nos denominamos filet Mignon, tendo que ser superiores a outras carnes moídas de terceira? Somos a coxa a humilhar um monte de pés de galinha?

    Por que será que nos achamos tão superiores aos outros, se vamos acabar todos no chão, na terra, esmagados e apodrecendo a cada segundo que passará? Penso que somos uns babacas se concluirmos assim. Devemos e podemos dar um sentido a essa carne que nos compõe. Como? Fácil dizer; Difícil praticar: Mais amor, serenidade, gentileza, paciência, educação, carinho, atenção... por todas as carnes que nos rodeiam.    

    A lista é grande, mas por hora chega. Se a gente praticar essas palavrinhas todos os dias, quem sabe nossa carne não fica, realmente, mais especial? E aí o perigo de indigestão até diminui, não é mesmo? Ou você curte pessoas indigestas? Eu não!

    Será que conseguimos responder à questão do título? Tentemos: Acho que somos carnes iguais, porém diferentes, dependendo do tempero que colocamos nela a cada dia, e no trato com nossa carnes semelhantes. E diferentes!

    Pra terminar, uma frase manjada de rede social, que não tem nada a ver com carne, mas que cai bem para a situação: Mais amor, por favor. Em tudo. Em todos.

Abraço cordial!!!!

Eduardo C. Souza é professor de História e escritor- autor de Memórias de um homem quase sensato. Escreve mensalmente neste espaço. (Pensa que, se quisermos, podemos ser carnes melhores).