O mundo é pequeno?

12/03/2014 19:15

 

 

 

 

Domingo à tarde, pós-almoço. Estava eu na casa de mãe. Como costuma cantar o Criolo na música homônima, casa de mãe é bom; Mas é casa de mãe. Significa que é tão gostoso e confortável que você vai ficando. Por outro lado não pode fazer o que quer, como se estivesse na sua própria casa. Mas, vá lá... 

Como de costume, os faróis-olhos baixaram logo que a última colher de sobremesa foi degustada. Deitei-me na cama de minha mãe e enrolei minha cabeça em seus dedos, como um cão que procura as mãos do dono para um cafuné. Então, meu pai ouviu vozes que vinham do portão. Minha mãe interrompeu a sessão-carícias e foi, também, ver quem era. Segundo ela, eram dois rapazes com capacetes nas mãos. Demorei-me ainda deitado, não querendo ser travado em minha soneca. Conversa vai, conversa vem no cômodo ao lado, levantai-me e fui fazer sala para todos. Qual não foi minha surpresa quando soube que quem estava lá eram um rapaz que vivera na casa ao lado havia uns vinte e três anos. Ao lado dele, outro rapaz, sobrinho do mesmo. Sua mãe era e é minha amiga que revi por meio das redes sociais no ano passado.

Até aí, normal. Começamos a conversar. O rapaz a me contar sobre a infância pós-vizinhança, sobre como estavam seus familiares, seu emprego, enfim, as rotinas das conversas nas salas e cozinhas que nós mineiros adoramos. Então descobri que o tal rapaz vivia agora na mesma cidade da avó da minha namorada. Isso mesmo: Com tantos munícipios a existirem nas órbitas que a vida dá, ele vive na mesma cidade dos parentes próximos da minha namorada. E o pior, digo, melhor: Ele conhecia os ditos parentes. Acredita? Tive que ligar para ela na hora.

Daí lembrei-me que noutro dia vi uma daquelas teorias loucas na TV que diziam que todas as pessoas no mundo estariam ligadas por, no máximo, seis graus de parentesco ou “conhecimento”. Duvidei, lógico! Como alguém que mora no Uzbequistão poderia me conhecer? Como pode uma coisa dessas?

Imaginem que o garoto saiu daqui com uns sete anos. Rodou o Brasil com os pais, teve inúmeras experiências e acabou vivendo na cidade onde a avó de minha namorada vive. E eu no meio desta relação louca. Digo louca porque senão tivesse conhecido nenhuma dessas pessoas, não haveria relação pessoal alguma com elas. E aí, penso em outra ideia da qual adoro: Nada é por acaso. Nenhuma relação é à toa. Se conhecemos algumas pessoas, é para fazermos o bem a elas. Penso que estamos nesta vida para somar, não subtrair em nossas relações. Demorei a aprender isso. Mas agora sei direitinho...

Juro para você que fiquei arrepiado. Me senti até importante. Digo isso porque fiz e faço parte dessas famílias, dessas histórias. E até onde sei, foram relações bacanas desde a infância, até na vida adulta. O rapaz, agora com trinta anos, nos deu o prazer de se deslocar mil e cem quilômetros para nos rever. E de moto.

Daí, caro leitor, deixo a você uma dica de ouro. Ela pode parecer anedótica, mas é séria: Tente não falar mal dos outros. Por quê? Ora, se o mundo é mesmo pequeno, você pode, com certeza, estar falando de algum parente da pessoa em questão.  Você pode levar uma bofetada ou uma paulada na cabeça, sabia?

Vamos combinar então: O mundo é pequeno demais para fazermos ou falarmos mal de outrem. Tentemos viver e fazer o bem. Não importa a quem.

E o que tem a imagem com o texto? É que se o mundo é realmente pequeno, ele pode caber em suas mãos. Depende de você.

                                                                                                           Abraço cordial!!! 

 

Dedico este texto ao Júnior, à Arúquia e sua família. Desde os primórdios até hoje em dia.

(Eduardo C. Souza é professor de História e escreve mensalmente neste espaço. Ele adorou descobrir que, sim, o mundo é pequeno). 

 

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