Monólogos de um louco sem hospício III

07/08/2013 18:59

 

Estou eu aqui revisando meu passado, todos os erros que cometi e que me levaram a loucura. São tantos que mal posso contar, assim com as pessoas as quais a saudade me atinge, mas não voltaria e refaria nenhum deles. Esses erros me levaram a ser quem eu sou e eu não desejaria ser diferente, pois afinal, se eu fosse diferente, eu deixaria de ser eu, eu seria outra pessoa.

Não deve ter medo de errar, se errar, quebrar, fugir, cair, temer, odiar, você pode voltar atrás. Não no tempo, apenas voltar atrás. Você pode reparar, concertar, voltar, levantar, tomar uma dose de coragem e aprender a amar. Sim, apesar de banalizado, o amor pode ser ensinado e pode ser aprendido, basta querer e decidir, você precisa ser o aluno ou o professor?

Uma coisa que me assusta é o número absurdo de pessoas que têm medo de amar. E amor não algo que possa ser apenas o passado. Amor é passado, presente e futuro. Isso é amar. Amar a vida, os pais, os amigos, a família ou um desconhecido que possa deixar de ser um desconhecido. Se eu, nessa minha loucura, sou capaz de amar, por que a outras pessoas não? Pois elas têm medo, medo de errar, errar e magoar, a si mesmo ou aos outros, então apenas se apaixonam ou ficam obcecadas, pois na dúvida, qualquer coisa é só esquecer ou se internar em uma clínica psiquiátrica. O famoso 8 ou 80. Aprendam, amar nunca é errado, e se for, eu desejo a todos vocês muitos erros.

Mas será que não é isso que falta no mundo? As pessoas aprenderem a amar? Ou as pessoas perderem o medo de errar? Acho que os dois. Erros e amores compõem a sua história e a sua vida, pois eles geram interesse e o interesse é a base de tudo. O interesse define suas escolhas e quem você é. Todos nós somos um bando de interesseiros e isso não é ruim, é natural. Eu por exemplo me interesso muito por pessoas inteligentes, com bom humor e se puderem ser bonitas ótimo, se não está tudo certo, continuam sendo do meu interesse.

Enfim, antes que eu prolongue mais esse monólogo, eu quero dar a vocês uma dica: amem, errem, se interessem, caiam, fujam, depois se ergam e voltem. Resumindo, vivam, sem medos é quase impossível, mas deixa o medo bem trancado em algum lugar, não deixe que ele o domine.

Recomendo ouvir após/durante ler esse texto: Vivendo e aprendendo- Capital Inicial.

 

 

 

 

Maria Letícia Nolasco é aluna do CAOP e escreve mensalmente neste espaço.