Monólogos de um louco sem hospício IX

10/12/2015 14:09

 

Saudade é um sentimento desgraçado (acho que é a pior palavra que posso usar sem precisar de me autocensurar). Te corrói sem piedade, aos poucos, e você faz QUESTÃO de se alimentar dela. Saudade é um sentimento tão desgraçado, que só 3 idiomas conseguiram traduzir esse sentimento em palavra (obviamente, o português brasileiro e os outros dois, não me recordo). Nas outras línguas existe o “sinto sua falta”, “sinto falta de...”, e pra quem realmente sente, sabe que vai além disso.  Saudade é muito mais do que sentir falta de alguém ou de algo, saudade é sentir que falta um pedaço de si.

Sentir saudade é como caminhar na chuva. Você sente a chuva te refrescando, limpando sua alma, mas anseia por chegar em casa. Entendeu a contradição que é esse sentimento? É se sentir feliz e angustiado, calmo e aflito, desesperado e no controle. Isso é saudade. O pior e o melhor sentimento do mundo. Talvez mais pra pior do que pra melhor.

Quem está lendo deve estar pensando: “o quê essa doida tá falando que saudade tem lado bom?”. Deixe-me explicar. Saudade é um processo, não é de um único momento. Começa com você fazendo alguma coisa que gosta, ou gostava muito, depois disso vem uma memória, você relembra sorrindo, daí você segura as lágrimas e controla a angústia que a falta do momento e a presença da lembrança deixou. Você só sente saudade se tiver coisas boas pra lembrar. Em resumo, você só sente saudades se foi muito amado. Ou muito iludido. Fico com a primeira opção.

Não me pergunte a cura, normalmente tenho me virado com uma boa taça de vinho e focado no lado bom disso, como tudo o que deve ser feito: ou você se afunda no sentimento ou mergulha junto à ele.

Música:  See You Again - Wiz Khalifa feat. Charlie Puth (Boyce Avenue feat. Bea Miller) on Apple & Spotify

  

Maria Letícia, é uma jovem escritora, amante das artes e, na literatura especificamente, de autores como Alphonsus de Guimaraens e Vinícius de Moraes.