Monólogos de um louco sem hospício I

10/06/2013 13:34

                                   

 

Observar. Talvez esse tenha sido o verbo que iniciou minha loucura. Eu observo, tu observas, ele observa e nós observamos. Eu mais que muitos talvez. Ou eu observava? Não tenho meu espaço na casa de loucos, mas também não há mais espaço em minha cabeça. Ou há e eu apenas tenho medo do grau de minha insanidade?

 

I-n-s-a-n-i-d-a-d-e. Uma palavra tão forte e tão bonita com um significado devastador. Insano seria eu? Mas se fosse eu um insano, como poderia ter certeza de minha insanidade? Então isso faz de mim um insano? Como ter certeza?

 

Insano eu seria por matar, estuprar, roubar de quem pouco tem, por fechar os olhos e fingir não ver os erros , meus erros e os dos outros. Pessoas assim me chamam de louco. Então será que não são eles os loucos da história? Talvez eles sejam os loucos e eu apenas, as vezes, fique insano. Insano... esperto... alerta... perdido  em momentos de insanidade e caindo em minha imaginação. Caindo no abismo que fizeram acreditar que sou para a sociedade. Me acusam para não se acusarem. Tu acusas, ele acusa, vocês acusam, eles acusam e eu os acuso de volta com provas.            

 

                                                                                                                               Maria Letícia Nolasco Cardo

Recomendo ouvir enquanto ou após ler esse texto a música Fallen- 30 Seconds To Mars: