Microcurso de Redação da Veja

02/11/2012 22:50

 

VEJA lança Microcurso de Redação para o Enem

Feitas em parceria com professores de cursinhos preparatórios, orientações serão publicadas durante esta semana

Lecticia Maggi

Enem exige a realização de um texto dissertativo-argumentativo, em que o aluno defende o seu ponto de vista

Enem exige a realização de um texto dissertativo-argumentativo, em que o aluno defende o seu ponto de vista(Thinkstock)

A redação é o bicho-papão para grande parte dos estudantes que participam do Enem. É no texto dissertativo que eles têm de expor ideias e argumentar – revelando, espera-se, um português corretíssimo. Para ajudar os candidatos nessa tarefa, VEJA.com elaborou, em parceria com professores de cursinhos preparatórios, um Microcurso de Redação em cinco capítulos – a serem publicados durante esta semana, como descrito a seguir:

A redação é um item valioso do Enem. A pontuação dos candidatos nessa prova varia de 0 a 1.000 pontos: quem obtiver um zero aqui fica automaticamente impossibilitado de disputar vagas oferecidas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e pelo Programa Universidade para Todos (ProUni). Ou seja, os que não forem capazes de dissertar estarão fora das universidades federais, estaduais e até privadas que usam o Enem como processo seletivo. Por outro lado, quem se sair bem na construção do texto pode avançar na competição por uma das vagas.

O primeiríssimo ponto a entender é qual é, afinal, o caráter da redação proposta no Enem. Em resumo, qual o "jeitão" da prova e o que os examinadores querem medir com ela. O exame federal apresenta um tema e exige do candidato a redação de um texto do tipo dissertativo, ou seja, aquele que analisa e debate a ideia proposta utilizando argumentos para justificar uma opinião adotada. O texto deve ter no mínimo 6 e no máximo 30 linhas.

"Dissertação é um texto em que o aluno deve firmar uma posição", afirma Francisco Platão Savioli, supervisor de língua portuguesa do Anglo Vestibulares. É importante lembrar que, pela natureza da prova, outros tipos de textos não são aceitos – e também rendem zero a seus autores. É o caso de narrações, poemas ou letras de música. Nesse aspecto, não há lugar para invenção no Enem. Com essa estrutura, os examinadores tentam medir as seguintes habilidades dos estudantes

As 5 competências avaliadas na redação do Enem

 

Domínio da norma padrão da língua escrita

 

O título da primeira competência avaliada pelos examinadores pode parecer complexo à primeira vista. Trata-se, na verdade, de um conceito simples. O que o Enem busca avaliar aqui é a capacidade dos estudantes de diferenciar os registros oral e escrito da língua. Um exemplo simples: no cotidiano, usamos a expressão "pra" (contração da preposição "para" e do artigo "a"). Ela pode se adequar perfeitamente a nossas conversas diárias, mas não fica bem quando precisamos fazer um discurso na formatura do colégio ou ainda ao escrever uma carta para a direção da empresa na qual trabalhamos. Nessas situações, deve-se primar pela clareza e pela precisão, possíveis graças à norma culta da língua. O examinador do Enem quer saber se o candidato conhece essas diferenças – e se sabe escrever usando o português correto.

Comentário do professor:
"É imprescindível obedecer às regras gramaticais no Enem. Não há espaço para brincadeiras aqui", afirma Tiago Fernandes, professor de redação do CPV Vestibulares.

 

Compreensão da proposta

Um dos erros mais frequentes – e graves – em redações de vestibulares e do Enem é a inadequação ao tema proposto. É o que acontece quando o candidato "foge do tema", como se costuma dizer. Trata-se de uma falta grave porque sinaliza que o estudante sequer conseguiu entender a proposta da prova (na verdade, o erro é fatal: quem não demonstra essa competência ganha nota zero na redação).

 

Capacidade de organizar e relacionar informações

 

Além de apresentar o tema de redação, o Enem oferece aos candidatos textos de apoio, que podem servir de subsídio à reflexão a ser desenvolvida. Esses textos ajudam o exame a avaliar a capacidade do estudante de selecionar e interpretar essas informações e as relacionar com outras, previamente conhecidas por ele. É avaliada ainda a capacidade de organizar todo esse conhecimento em defesa de um ponto de vista pessoal.

Comentário do professor:
"Essa competência exige especialmente atenção, durante a leitura dos textos de apoio, e lógica, na redação", afirma Francisco Platão Savioli, coordenador de língua portuguesa do Anglo Vestibulares

 

Construção da argumentação

Os aspectos avaliados nessa competência dizem respeito à estruturação do texto e apresentação da argumentação. O estudante deve demonstrar que sabe usar o idioma para desenvolver suas ideias sobre o tema proposto de maneira clara e lógica. Dessa forma, será bem-sucedido na tarefa de comunicar a mensagem pretendida.

Comentário do professor:
"Aqui, o avaliador busca uma dissertação que não exponha apenas os fatos, mas se comprometa a sustentar um ponto de vista com base em bons argumentos", afirma Francisco Platão Savioli, coordenação de língua portuguesa do Anglo Vestibulares

 

Elaborar proposta de intervenção ao problema exposto

 

A última competência busca avaliar se o candidato tem condições de propor alguma ideia para solucionar um problema. É fundamental detalhar os meios que seriam utilizados para a solução do problema. O próprio MEC ressalta que as propostas devem ser feitas respeitando-se os direitos humanos, o que implica não romper com valores como cidadania, liberdade, solidariedade e diversidade cultural.

Comentário do professor:
"Ainda que não seja preciso prová-lo, é fundamental que a proposta seja minimamente factível", diz Roseli Braff, supervisora de língua portuguesa do Sistema COC de Ensino

 

Temas – Ninguém, além dos examinadores do Enem, é claro, conhece o tema que será proposto na prova de redação do próximo dia 4. Um estudo detalhado das edições anteriores do exame, contudo, revela padrões que se fixaram desde a primeira aplicação da avaliação federal, em 1998.

Para o professor de redação Tiago Fernandes, do CPV Vestibulares, é possível observar a recorrência de temas contemporâneos e que se ligam em alguma medida à realidade dos jovens. "As propostas costumam abordar questões  atuais e incentivar  a discussão sobre assuntos que tocam a vida dos estudantes", afirma Fernandes. O objetivo disso, acrescenta o professor, é garantir que os candidatos tenham ferramentas para propor soluções ao problema apresentado.

Analisando todas as edições do Enem, o professor Platão, do Anglo Vestibulares, observa ainda três eixos temáticos na redação. Ou seja, os temas apresentados até aqui podem ser agrupados em três grandes áreas, comentadas na lista a seguir:

Relação do homem com ele mesmo

Em grande medida, a área abrange propostas de redação consideradas mais "filosóficas". Em geral, os temas incentivam reflexões sobre experiências de vida. Com isso, o exame pretende verificar de que forma o candidato transforma o passado em aprendizado útil para o presente e, especialmente, o futuro. Não por acaso, são contempladas aqui questões ligadas a realização profissional, sentimentos como felicidade e paixões e também crenças.

Edições passadas do Enem que apresentaram temas deste grupo:

1998 - Viver e aprender 
2006 - O poder de transformação da leitura

 

Relação do homem com a sociedade

 

É a área dominante entre os temas de redação do Enem. É também a que requer maior atenção dos alunos. Das 14 propostas de redação apresentadas até 2011, dez levaram os candidatos a discutir as relações do indivíduo com o meio social. O exame quer verificar como o candidato entende que o homem interage e se associa com seus semelhantes e como essas relações o definem e influenciam. Na prática, as propostas de redação abordam atuação política, cidadania, diversidade e solidariedade.

Edições passadas do Enem que apresentaram temas deste grupo:

1999 - Cidadania e participação social
2000 - Direitos da criança e do adolescente: como enfrentar esse desafio nacional
2002 - O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais que o Brasil necessita?
2003 - A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo
2004 - Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação
2005 - O trabalho infantil na sociedade brasileira
2007 - O desafio de se conviver com as diferenças
2009 - O indivíduo frente à ética nacional
2010 - O trabalho na construção da dignidade humana
2011 - Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado

 

Relação do homem com o meio ambiente

 

Aqui, estão reunidos temas que tratam das interações entre homem e natureza: como modificamos e preservamos (ou destruímos) o meio ambiente. Não raro, entram em questão assuntos como preservação dos recursos naturais, poluição ambiental, reciclagem, consumo de produtos orgânicos e uso de agrotóxicos. É importante notar que propostas de redação que tratam das relações do homem com a natureza por vezes incluem as relações do indivíduo com seus semelhantes. É o que ocorreu na edição 2011 do Enem (confira a seguir):

Edições passadas do Enem que apresentaram temas deste grupo:

2001 - Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?
2008 - Como preservar a floresta Amazônica: suspender imediatamente o desmatamento; dar incentivo financeiros a proprietários que deixarem de desmatar; ou aumentar a fiscalização e aplicar multas a quem desmatar

 
Treino  A redação do Enem é um grande desafio. Mas ainda há tempo para o treino. Na reta final de estudos, os professores incentivam os candidatos a realizar ao menos duas redações por semana. Fernandes, do CPV, sugere alguns temas: eleições municipais, lei das cotas, código florestal brasileiro e construção da usina hidroelétrica de Belo Monte, além de engajamento político na internet e papéis de negros e índios na sociedade brasileira. 
 
Fonte: https://veja.abril.com.br/noticia/educacao/veja-lanca-microcurso-de-redacao-para-o-enem#texto2
 

Microcurso

 

 

Redação do Enem, parte 1: evite gírias e termos pomposos

Orientações podem ajudar o estudante a obter pontuação máxima (200 pontos) na primeira habilidade avaliada na prova federal

Lecticia Maggi

Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita

Redação do Enem deve ter informações completas e claras (Thinktock)

A primeira competência avaliada na redação do Enem é o domínio do idioma. Na prática, isso significa que os examinadores querem medir a capacidade do estudante de diferenciar os registros oral e escrito da língua portuguesa.

Quando conversamos com amigos, nosso discurso muitas vezes é impreciso e fragmentado. O interlocutor compreende o que tentamos explicar graças ao contexto da conversa. Por exemplo: quando digo "Eu 'tive' lá ontem para resolver aquilo", meu amigo provavelmente entenderá do que se trata porque conhece previamente o assunto. Sabe que fui a algum lugar (Eu fui a algum lugar...) para tratar de um assunto importante.

Em uma redação, contudo, tudo ocorre de forma diversa. É preciso cuidar para que todas as informações estejam explicitadas no texto, uma vez que o leitor (o examinador do Enem, no caso) não tem dados prévios do assunto abordado pelo candidato e tampouco receberá informações adicionais. Neste caso então, mais correto seria dizer: "Eu fui ao cartório ontem para justificar minha ausência na votação do domingo."

Por isso, na redação, o estudante deve ser absolutamente claro em relação à mensagem que pretende transmitir. "Não exija do corretor que lerá sua redação um esforço de interpretação acima do comum. Ele não pode adivinhar o que você está pensando", diz o professor Francisco Platão Savioli, supervisor de língua portuguesa do Anglo Vestibulares.

Tendo em mente que a clareza é fundamental, professores ouvidos por VEJA oferecem orientação adicionais para a produção de um texto que obedeça também à norma padrão da língua portuguesa. Entre elas, estão: evite gírias, não tente escrever difícil e zele pela gramática. Seguindo essas orientações, são grandes as chances de o candidato obter pontuação máxima (200 pontos) na primeira habilidade avaliada na prova. 

 

Evite gírias e abreviações

 

 

A professora Roseli Braff, supervisora de língua portuguesa do Sistema COC de ensino, lembra que as gírias empobrecem o texto e empurram a nota para baixo na avaliação do Enem. Termos como "mano" e "mina" podem ser facilmente compreendidos em uma conversa informal com um grupo de amigos, mas não devem ser utilizados em uma dissertação formal como a exigida pelo Enem. Imagine quando você estiver trabalhando em uma empresa: seu chefe aceitaria tal forma de tratamento?

1. Substitua a gíria por um termo formal de sentido similar
Exemplos:
"Gringo" pode ser trocado por "estrangeiro"
"Tá ligado" pode dar lugar a "tem conhecimento" ou "está ciente"
'Cara', 'velho' e 'meu' também devem ser eliminados

2. As abreviações devem ser banidas
É o caso de termos consagrados em chats na internet, como "tb" e "vc". Na redação, deixe-os de lado e use sempre "também" e "você".

3. Evite ainda as chamadas "marcas de oralidade", expressões informais típicas de conversas mantidas com amigos
Exemplos:
"Daí", "né", "tá"

 

Não utilize palavras que não fazem parte de seu vocabulário

 

Um equívoco comum entre estudantes é acreditar que respeitar a norma culta da língua é escrever difícil ou de forma pomposa. O efeito pode ser justamente o contrário. Se o uso de termos rebuscados não é bem-feito pode trazer prejuízo ao estudante.

"Quando tenta utilizar palavras sofisticadas que não domina, o aluno muitas vezes cria uma armadilha para si mesmo, pois acaba se confundindo e mostrando ao corretor que é incapaz de trabalhar com aquele vocabulário", diz Francisco Platão Savioli, do Anglo Vestibulares.

Entre os erros comuns, estão o uso de "adentrar", mais pomposo, em lugar de "entrar", mais simples porém correto. É preciso lembrar que "adentrar" é um verbo transitivo direto e, por isso, pede objeto direto (sem preposição).

Exemplos:
"O aluno entrou na sala de aula" – CERTO
O aluno adentrou a sala de aula – CERTO ("O aluno adentrou na sala de aula – ERRADO)

A orientação, portanto, é simples: não invente. Use apenas os termos que você de fato domina. Caso contrário, as chances de erro crescem muito.

 

Zele pela gramática

Como já explicado anteriormente, escrever bem não é escrever difícil. Contudo, ainda que o candidato opte por uma linguagem mais simples, deve zelar sempre por sua correção. Ou seja, a linguagem escolhida deve estar totalmente de acordo com as regras gramaticais vigentes. Roseli Braff, do COC, destaca três erros gramaticais fatais na redação:

1. Erro de concordância entre sujeito e verbo
Exemplo: "A gente fomos à escola."

2. Erro de concordância entre adjetivo e substantivo
Exemplo: "As casas azul são bonitas."

3. Separação de sujeito e verbo por vírgula
Exemplo: "Eu, sou uma pessoa feliz."

No Manual de Redação do Enem, há a descrição dos desvios gramaticais considerados mais graves. Um descuido aparentemente simples, como iniciar a frase ou escrever nomes de pessoas e lugares com letra minúscula, é considerado gravíssimo e pode resultar na perda de vários pontos.

 

Estude os erros mais comuns

 

Os professores Francisco Platão Savioli, do Anglo, e Tiago Fernandes, do CPV Vestibulares, prepararam uma lista com os erros mais comuns verificados em redações de estudantes. Confira os exemplos a seguir:

1. Emprego de pronomes com os verbos "ver" e "entender"
"Eu lhe vi na porta da escola" – ERRADO ("Eu o vi na porta da escola" – CERTO)
"Eu lhe entendo perfeitamente" – ERRADO ("Eu o entendo perfeitamente" – CERTO)

2. Plural das palavras "chapéu" e "degrau"
Chapéis – ERRADO (Chapéus – CERTO)
Degrais – ERRADO (Degraus – CERTO)

3. Regência dos verbos "implicar" e "acarretar" usados como "ter como consequência"
"A nota baixa pode implicar em prejuízos futuros ao aluno" – ERRADO ("A nota baixa pode implicar prejuízos futuros ao aluno" – CERTO)
"A corrupção de alguns políticos acarreta em danos à educação" – ERRADO ("A corrupção de alguns políticos acarreta danos à educação" – CERTO)

4. Uso indevido de conjunções, principalmente as adversativas (mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto) e conclusivas (logo, por isso, portanto)
"Eu estava na sala de aula entretanto a professora chegou" – ERRADO ("Eu estava na sala de aula quando a professora chegou" – CERTO)

 

Revise a redação antes de entregá-la

 

Antes de entregar a prova ao fiscal do Enem, realize a revisão dos pontos descritos a seguir – os erros apontados aqui são muito recorrentes:

1. Palavras escritas com s, z, x, ch, sc, ss
Um erro comum, por exemplo, é o candidato escrever "ancioso" em lugar de "ansioso"

2. Palavras acentuadas
Erros na acentuação não são tolerados pelos examinadores. Cabe uma atenção extra aos casos em que a acentuação determina a flexão do verbo, como "obtém" (terceira pessoa do singular) e "obtêm" (terceira pessoal do plural).

3. Concordância entre sujeito e verbo e regência dos complementos
Um deslize frequente é o estudante escrever "assistiu o jogo", quando o correto é "assistiu ao jogo", uma vez que o verbo "assistir", usado no sentido de "ver", é transitivo indireto e pede complemento regido pela preposição "a".

4. Conjugação de verbos menos usuais
"A polícia interviu com violência" – ERRADO ("A polícia interveio com violência" – CERTO

 

Fonte: https://veja.abril.com.br/noticia/educacao/redacao-do-enem-parte-1-evite-girias-e-termos-pomposos

 

Redação do Enem, parte 2: como não fugir do tema

Analisar atentamente os artigos de apoio e esboçar um esquema do texto antes de iniciar a redação ajudam a manter o foco na prova dissertativa

Lecticia Maggi

Demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita

Fugir do tema proposto resulta na nota zero (Thinkstock)

A segunda competência avaliada pelo Enem verifica se o aluno sabe o que é um texto dissertativo e se ele entendeu o tema que lhe foi proposto. Tratar do assunto apresentado pela prova parece uma tarefa óbvia, mas muitos estudantes se desviam dela – ou, na linguagem dos próprios candidatos, "fogem do tema".

A primeira orientação dos professores para evitar um desastre (inadequação ao tema proposto rende nota zero, vale lembrar) é tão simples quanto eficiente: "É imprescindível ler atentamente todos os textos de apoio da redação", diz Roseli Braff, coordenadora de língua portuguesa do Sistema COC de Ensino. Com cinco horas e trinta minutos para resolver 90 questões e produzir uma redação, há alunos que se desesperam e acabam deixando os textos de apoio de lado, concentrando-se apenas no enunciado da proposta de redação. É um erro.

"A prova de redação não avalia somente a escrita, avalia também a leitura", diz Eclícia Pereira, coordenadora de redação do Cursinho da Poli. "Por meio dos argumentos apresentados nos textos de apoio, o corretor vai perceber se a leitura foi feita de maneira superficial ou se o estudante foi capaz de compreender as informações principais."

É fácil perceber quando o estudante foge da proposta. Por exemplo: o examinador propõe um texto que trate dos possíveis efeitos da Copa do Mundo de 2014 para a sociedade brasileira. Na hora de redigir, contudo, em meio ao nervosismo, o aluno se confunde e acaba falando sobre a importância dos Jogos Olímpicos de 2016. Não há salvação: a nota é zero. 

Tangenciar o tema proposto também é prejudicial. Isto é, abordá-lo superficialmente ou em parte. Em 2011, a redação do Enem pedia que o candidato escrevesse sobre "Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado". Nesse caso, tangenciar o tema significa dissertar sobre outros aspectos ligados à tecnologia, como inclusão digital e interação entre as pessoas na rede, sem discutir a fundo a questão da privacidade.

Para aprimorar o desempenho na redação, professores ouvidos por VEJA.com oferecem duas orientações fundamentais: considerar todos os elementos da proposta e esboçar um esquema para o texto antes de começar a escrever.  Confira na lista a seguir:

 

Considere todos os elementos da proposta

 

O professor Francisco Platão, supervisor de língua portuguesa do Anglo Vestibulares, afirma que grande parte dos alunos incorre em dois erros: realiza uma leitura incompleta dos textos de apoio e da proposta ou se concentra em apenas um dos itens pedidos. Para exemplificar a questão, o professor utiliza o tema dado na redação da Fuvest em 1989. A prova trazia um trecho do poema Mar Português, de Fernando Pessoa, e pedia a seguinte relação:

"Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Discuta as ideias contidas nos versos acima, confrontando-as com o momento que vivemos hoje no Brasil."

Explicação do professor:
Segundo o professor, os versos "Tudo vale a pena/Se a alma não é pequena" roubaram a atenção de muitos candidatos, fazendo-os ignorar a segunda parte da apresentação – que pedia uma reflexão sobre o Brasil de então. Por isso, diversos textos discorreram erroneamente sobre o conceito de carpe diem (viva o hoje), a importância de se valorizar a vida, minimizando preocupações passadas e futuras. "Era preciso uma redação que deixasse claro que a vida somente vale a pena se for abandonada a mesquinharia humana", afirma Platão. 

Solução do professor:
O aluno atenderia à segunda parte da proposta se relacionasse a ideia dos versos, por exemplo, com a atividade política do Brasil. Isso porque muitas pessoas se valem da avareza na busca pelo lucro imediato.

Como não fugir do tema:
"Não se prenda somente ao trecho que chama mais atenção no texto. Amplie o olhar e tenha certeza de que está levando em consideração o conjunto das informações oferecidas pelo examinador."

 

Defina uma estrutura para o texto

 

Para a professora Eclícia Pereira, do Cursinho da Poli, a melhor estratégia para não fugir do tema proposto é organizar as informações que serão utilizadas na redação e, em seguida, esboçar um esquema de desenvolvimento do texto: o que estará na introdução, o que estará na fase de argumentação e, finalmente, o que estará na conclusão.

Confira as orientações sugeridas pela professora para fazer isso:

1. Destaque trechos dos textos de apoio
Grife passagens dos textos de apoio que chamem sua atenção e faça breves anotações a respeito deles. Esses trechos podem ser úteis para o racioncínio e argumentação.

2. Estabeleça relação entre os textos
Antes de escrever, tente estabelecer conexões dos textos de apoio com a proposta de redação. O risco de sair do tema quando o aluno reconhece o ponto central da discussão é muito menor.

3. Escolha uma linha de raciocínio
Coloque no rascunho, em uma ou duas linhas, qual será o eixo principal do texto. Com a ideia central em mente, esboce uma estrutura esquemática do texto.

4. Responda às seguinte questões:
Qual será o argumento principal do meu texto?
Qual será o argumento secundário do meu texto?
A que conclusão pretendo chegar com eles?

5. Comece a redação
Cumpridas as etapas anteriores, é hora de começar a escrever

 

Fonte: https://veja.abril.com.br/noticia/educacao/redacao-do-enem-parte-2-como-nao-fugir-do-tema

 

Redação do Enem, parte 3: como argumentar

Na produção do texto, utilize suas próprias ideias, não copie passagens de outros e privilegie explicações que tenham potencial de apelo e convencimento

Lecticia Maggi

Redação Enem

Redação Enem (Thinkstock)

A capacidade de argumentar é uma competência avaliada pela redação do Enem. Mesmo que o estudante demonstre um português corretíssimo e não fuja da proposta dada, é fundamental que ele defenda no texto sua opinião, seu ponto de vista. Os argumentos são os grandes responsáveis por estruturar a redação e fornecer aos corretores elementos para avaliá-la. Podem, dessa forma, sustentar ou arruinar uma nota.

"Para uma boa argumentação, é fundamental que o estudante tenha um bom repertório", diz professora Eclícia Pereira, coordenadora de redação do Cursinho da Poli. "Esse repertório, por sua vez, é formado pelo conhecimento e pelas experiências que o estudante acumula durante a vida."

Não há técnicas infalíveis para a construção de um bom repertório. Ele é cumulativo e deve ser enriquecido dia a dia, com leituras sobre o maior número de assuntos possíveis e também experiências individuais. Some-se a isso capacidade de observação e reflexão.

Os professores ouvidos por VEJA oferecem ainda três orientações aos estudantes para a tarefa de argumentar na prova de redação: apresente ideias próprias, não ignore opiniões contrárias e escolha explicações que tenham maior potencial de apelo e convencimento.

Não copie trechos dos textos de apoio

O professor Francisco Platão Savioli, do Anglo Vestibulares, costuma dizer que a redação do Enem pretende medir o quão engajado são os candidatos que participam da provam e se eles têm capacidade de pensar pela própria cabeça. "Isso não significa que é preciso escrever uma teoria revolucionária na redação. Mas o estudante deve demonstrar certa originalidade", diz.

Valem, portanto, as orientações a seguir:

1. Não copie trechos dos textos de apoio
A cópia, mesmo que de uma única frase, pode ser desastrosa para a nota final. Os textos de apoio (como o próprio nome diz) devem servir exclusivamente para isso: auxiliar o candidato na construção de seus próprios argumentos.
"Quanto mais um aluno copia, mais mostra ao avaliador que não tem informações suficientes sobre o assunto tratado", adverte a professora Eclícia Pereira, do Cursinho da Poli.

2. Evite parafrasear trechos dos textos de apoio
Parafrasear é escrever a mesma coisa, mas utilizando-se de outras palavras. Assim como copiar um trecho, parafraseá-lo também é uma péssima saída. Confira um exemplo de paráfrase a seguir:
Trecho original: "É preciso que ocorram transformações urgentes no sistema de ensino do país".
Paráfrase: "São necessárias mudanças imediatas na educação brasileira".

3. Use seu repertório:
Tiago Fernandes, professor do CPV Vestibulares, ressalta que os corretores da prova esperam que o aluno vá além dos textos de apoio, adicionando informações novas à discussão. Por isso, além de reelaborar as ideias dos textos de apoio é fundamental que o estudante as associe à sua própria realidade. Uma ideia nova, ainda que limitada, vale mais do que a repetição indiscriminada de outras ideias.

4. Informe-se o máximo possível
A única forma de ampliar o repertório e, assim, melhorar o desempenho na argumentação é buscar informações, seja nos jornais, na TV, na internet, com os amigos, em passeios etc.. Segundo professores, nas últimas semanas que antecedem o Enem, "vale tudo para se antenar".

 

Não ignore posições contrárias à sua

 

O professor Platão, do Anglo Vestibulares, afirma que há dois erros recorrentes entre os estudantes na hora de defender seus argumentos. O primeiro é a crítica pela crítica, ou seja, atacar algo ou alguém sem argumentação. O segundo ocorre quando o estudante ignora posições contrárias às dele.
Entenda como isso acontece no exemplo a seguir, em que se discute a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte:

1. Crítica pela crítica
O estudante não apresenta justificativas para criticar os opositores da construção, mas insiste no posicionamento.

Exemplo:
"Os ecologistas são contrários ao progresso e deveriam viver na Idade Média."

Solução:
Após cada crítica, faça uma simples pergunta: por quê?. Se tiver uma resposta para ela, a crítica pode ficar de pé. Caso contrário, estão faltando argumentos para sustentar a posição.

2. Ignorar outros pontos de vista
O estudante não pode ignorar posições discordantes da que defende. Um bom argumento, explica o professor, não anula os demais, mas torna-se preferível em relação aos demais.

Exemplo:
O estudante é favorável à construção da usina, sabe que isso implica em custos ambientais, mas ignora esse fato, devidamente apontado pelos textos de apoio.

Solução:
Não há problema algum no fato de o estudante defender que, a despeito de perdas, a construção da usina se justifica, dada a importância do fornecimento de energia proveniente da construção. Ele pode considerar isso um problema menor, deixando claro que conhece a situação. Um bom argumento, diz o professor Platão, reconhece a complexidade das questões.

 

Escolha explicações com potencial de apelo e convencimento

 

Um bom argumento precisa, é claro, ser convincente. Para isso, é importante que ele tenha certo apelo (ou seja, desperte a atenção das pessoas) e que não seja facilmente derrubado. O professor Platão, do Anglo Vestibulares, dá exemplos de argumentos mais ou menos eficientes usados em campanhas de saúde para desestimular o cigarro e o álcool

Cigarro:
1. Fumar é prejudicial à saúde
2. Fumar causa câncer e doenças respiratórias

Álcool:
1. Aliar bebida e direção é perigoso, pois o álcool inibe os reflexos motores
2. O consumo de álcool é responsável por muitas mortes nas estradas

Em ambos os casos, diz Platão, os argumentos de número 2 são mais efetivos. Os dois informam de forma mais direta e contundente os efeitos nocivos do cigarro e do álcool, respectivamente. Além disso, é impossivel desmentir as informações ali contidas.

Fonte: https://veja.abril.com.br/noticia/educacao/redacao-do-enem-parte-3-como-argumentar

 

Redação do Enem, parte 4: apresente soluções

Apresentar propostas realistas em lugar das vazias e assumir responsabilidades são orientações dos professores para a prova

Lecticia Maggi

Redação Enem

Redação Enem (Thinkstock)

A quinta e última competência avaliada na redação do Enem diz respeito à capacidade dos estudantes de apresentar uma solução (ou ao menos intervenção) para o problema apresentado pelos examinadores. É o momento do aluno deixar claro que não está alheio às questões apresentadas. "É importante o jovem demonstrar que, ao mesmo tempo em que vive no mundo, também o constrói", afirma a professora Eclícia Pereira, coordenadora de redação do Cursinho da Poli.
 

A competência vale o mesmo número de pontos (200) das demais, mas tem um papel fundamental. "É a última chance de convencer o examinador de que o texto merece uma boa nota", diz Tiago Fernandes, professor de redação do CPV Vestibulares. O ideal é que a proposta de intervenção contemple cada um dos pontos abordados na argumentação.

Portanto, concluir a dissertação mostrando indiferença é pedir para receber nota baixa. Expressões como "não há nada o que ser feito diante disso", "não adianta querermos mudar a situação", "o mundo é assim desde que é mundo" ou "não há solução" são improdutivas e, por isso, devem ser banidas do texto. A principal orientação dos professores é simples: pouco importa se o candidato é contra ou a favor de determinado ponto de vista – o fundamental é propor uma forma de intervir no problema dado.

Confira na lista a seguir outras formas de aprimorar a conclusão da redação:

Fuja das propostas vazias

 

Professores afirmam que nove em cada dez redações apresentadas no Enem e vestibulares são encerradas por passagens como "precisamos nos conscientizar de que", "os pais precisam se conscientizar", "o governo deve conscientizar os cidadãos". Não há mal algum em imaginar que a tomada de consciência é o primeiro passo para mudanças. Mas se essa fosse a cura para todas as doenças, bastaria realizar milhares de campanhas de conscientização para sanar todos os problemas do mundo.

O Enem espera algo mais dos candidatos. Valoriza propostas de intervenção particulares, ou seja, soluções para questões específicas. "Consciência todos devem ter, mas da consciência é preciso partir para a ação. Pense em quais atitudes concretas devem ser tomadas para que o problema seja resolvido", diz Eclícia Pereira, coordenadora de redação do Cursinho da Poli.

Confira a seguir dois exemplos, uma proposta vaga e outra mais elaborada, que tratam dos desafios para a educação do Brasil:
1. "É fundamental que o país tenha uma educação melhor"
2. "É fundamental melhorar o ensino básico público, expandir o ensino técnico e facilitar o ingresso de pessoas mais pobres ao ensino superior"

Explicação do professor:
O Enem pede uma proposta detalhada de intervenção. Dessa forma, a proposta de número 2 é mais efetiva do que a primeira: ela não diz apenas que a educação dever ser melhor, mas sugere o que deveria ser feito para alcançar esse objetivo.

 

Apresente soluções realistas

Antes de apresentar sua solução ao problema proposto pela redação, é preciso refletir se sua sugestão poderia de fato ser colocada em prática. O professor Francisco Platão Savioli, do Anglo Vestibulares, conta que é comum alunos mostrarem propostas inexequíveis ou mesmo delirantes.

Entenda a diferença entre os dois tipos de propostas nos exemplos a seguir, que tratam do combate à violência:

1. Proposta pouco efetiva
"A violência só será resolvida quando os cidadãos se convencerem de que são todos irmãos e precisam respeitar uns aos outros."

2. Proposta efetiva
"Para combater a violência é preciso ampliar o número de policiais nas ruas, assim como treiná-los intensivamente."

 

Assuma a responsabilidade pela solução apresentada

 

Um erro bastante comum entre os estudantes é terceirizar o problema, ou seja, atribuir a outro a responsabilidade pela solução da questão apresentada na redação. Por exemplo: o candidato afirma que a sociedade deve atentar para o alto índice de trabalho infantil. Contudo, se esquece de deixar claro que também faz parte dessa sociedade e, por isso, tem sua parcela de responsabilidade.

Tema do Enem 2011: "Viver em rede no século 21: os limites entre o público e o privado"

Exemplos de soluções:
1. O governo deve verificar se as informações publicadas na internet estão sendo usadas de forma a não ferir a privacidade de cada um.
2. As pessoas devem sempre lembrar que uma informação publicada na internet estará disponível a todo mundo e eternamente em circulação.

Explicação da professora Eclícia Pereira, coordenadora de redação do Cursinho da Poli:
A proposta 2 é melhor. Não faz sentido o governo ter que vigiar tudo o que é publicado na internet. A responsabilidade de gerir informações entre público e privado é das pessoas que expõem seus dados na rede.

Fonte: https://veja.abril.com.br/noticia/educacao/redacao-do-enem-parte-4-apresente-solucoes

 

Redação do Enem, parte 5: textos nota 1.000 comentados

Professores avaliam duas redações que receberam nota máxima no exame

Lecticia Maggi

Redação Enem

Redação Enem (Thinkstock)

As mineiras Alline Rodrigues da Silva e Camila Pereira Zucconi conseguiram um feito e tanto no Enem 2011: obtiveram nota máxima (1.000 pontos) na redação. Seus textos foram, por isso, reproduzidos no Manual de Redação do exame. Para os corretores da prova, as estudantes demonstraram total domínio das cinco competências avaliadas (confira todas aqui). É importante, portanto, analisar com atenção os dois textos e também os comentários de professores a respeito – confira no quadro abaixo
 

Os professores Tiago Fernandes, do CPV Vestibulares, e Eclícia Pereira, do Cursinho da Poli, ressaltam os pontos positivos da dissertação. Mas mostram também pequenos deslizes das candidatas. Alline, por exemplo, separou com vírgula sujeito e verbo em uma passagem. Já Camila escreveu um parágrafo de seis linhas com um único ponto final, uma operação arriscada. Ainda que tenham cometido erros, as estudantes não foram penalizadas. Ambos os textos são objetivos, claros e coerentes. Confira as análises dos professores:

Redações nota 1.000 no Enem comentadas por professores

 

Leia a íntegra de dois textos apresentados por estudantes em edições passados da prova. Abaixo de cada parágrafo, em vermelho, estão os comentários dos professores Tiago Fernandes, do CPV Vestibulares, e Eclícia Pereira, do Cursinho da Poli, respectivamente.

 

                                'Redes sociais: o uso exige cautela'

 

"Redes sociais: o uso exige cautela", por Camila Pereira Zucconi Viçosa-MG 
É um ótimo TÍTULO e já indica a posição da candidata sobre o tema.

 

Uma característica inerente às sociedades humanas é sempre buscar novas maneiras de se comunicar: cartas, telegramas e telefonemas são apenas alguns dos vários exemplos de meios comunicativos que o homem desenvolveu com base nessa perspectiva. E, atualmente, o mais recente e talvez o mais fascinante desses meios são as redes virtuais, consagradas pelo uso, que se tornam cada vez mais comuns.
A contextualização desta INTRODUÇÃO é muito boa. A candidata acerta ao citar a evolução sofrida pelos meios de comunicação.

Orkut, Twiter e Facebook são alguns exemplos das redes sociais (virtuais) mais acessadas do mundo e, convenhamos, a popularidade das mesmas se tornou tamanha que não ter uma página nessas redes é praticamente como não estar integrado ao atual mundo globalizado. Através desse novo meio as pessoas fazem amizades pelo mundo inteiro, compartilham ideias e opiniões, organizam movimentos, como os que derrubaram governos autoritários no mundo árabe e, literalmente, se mostram para a sociedade. Nesse momento é que nos convém cautela e reflexão para saber até que ponto se expor nas redes sociais representa uma vantagem.
A autora do texto entendeu satisfatoriamente a proposta. Ao desenvolver sua ideia, mostra um conhecimento de mundo amplo, citando amizades, informações disseminadas e movimento políticos. Cabe destacar um ponto negativo na passagem: o uso do termo "convenhamos", típico da língua falada e que deve ser evitado em textos mais formais.

Não saber os limites da nossa exposição nas redes virtuais pode nos custar caro e colocar em risco a integridade da nossa imagem perante a sociedade. Afinal, a partir do momento em que colocamos informações na rede, foge do nosso controle a consciência das dimensões de até onde elas podem chegar. Sendo assim, apresentar informações pessoais em tais redes pode nos tornar um tanto quanto vulneráveis moralmente.
A primeira frase é bastante adequada. A partir dela, são discutidos prejuízos à integridade do indivíduo em razão do mau uso das redes sociais.

Percebemos, portanto, que o novo fenômeno das redes sociais se revela como uma eficiente e inovadora ferramenta de comunicação da sociedade, mas que traz seus riscos e revela sua faceta perversa àqueles que não bem distinguem os limites entre as esferas públicas e privadas “jogando” na rede informações que podem prejudicar sua própria reputação e se tornar objeto para denegrir a imagem de outros, o que, sem dúvidas, é um grande problema.
O parágrafo relaciona as duas ideias desenvolvidas anteriormente, o que é positivo. Há, contudo, um reparo a ser feito: a utilização de um único e longo período. Essa construção deve ser evitada, pois dá margem a erros e dificulta a leitura.

Dado isso, é essencial que nessa nova era do mundo virtual, os usuários da rede tenham plena consciência de que tornar pública determinadas informações requer cuidado e, acima de tudo, bom senso, para que nem a própria imagem, nem a do próximo possa ser prejudicada. Isso poderia ser feito pelos próprios governos de cada país, e pelas próprias comunidades virtuais através das redes sociais, afinal, se essas revelaram sua eficiência e sucesso como objeto da comunicação, serão, certamente, o melhor meio para alertar os usuários a respeito dos riscos de seu uso e os cuidados necessários para tal.
A solução sugerida nesta CONCLUSÃO é adequada porque procura combater o problema apresentado: a confusão entre público e privado. A autora faz um apelo ao bom senso, acrescentando que estado e comunidades virtuais devem cooperar no assunto. A posição satisfaz a orientação do Enem, que demanda do estudante uma proposta de intervenção específica e realizável.

 

 

                                 Redação de Alline Rodrigues da Silva

Redação sem título de autoria de Alline Rodrigues da Silva (Uberaba-MG)


A crescente popularização do uso da internet em grande parte do globo terrestre é uma das principais características do século XXI. Tal popularização apresenta grande relevância e gera impactos sociais, políticos e econômicos na sociedade atual.
Nesta INTRODUÇÃO, a estudante opta por iniciar tratando do fenômeno da internet, deixando de fora a questão público/privado. Assim mesmo, ela deixa claro que entendeu a proposta, ao abordar o assunto logo no início do parágrafo seguinte. O emprego da expressão "tal popularização" garante a ligação entre as ideias, o que é essencial para a coesão do texto.

Um importante questionamento em relação a esse expressivo uso da internet é o fato de existir uma linha tênue entre o público e privado nas redes sociais. Estas, constantemente são utilizadas para propagar ideias, divulgar o talento de pessoas até então anônimas, manter e criar vínculos afetivos, mas, em contrapartida também podem expor indivíduos mais do que o necessário, em alguns casos agredindo a sua privacidade.
Ao escolher expressões como "uma linha tênue", "propagar ideias" e "vínculos afetivos", a autora expressa visão crítica sobre o assunto. Problemas de pontuação: uso errado de vírgulas nos trechos "Estas, constantemente são..." (seperando sujeito e verbo) e "... mas, em contrapartida também" (falta o sinal após "contrapartida"). Apesar disso, os erros não comprometem a clareza do raciocínio.

Recentemente , ocorreram dois fatos que exemplificam ambas as situações. A “Primavera Árabe”, nome dado a uma série de revoluções ocorridas em países árabes, teve as redes sociais como importante meio de disseminação de ideias revolucionárias e conscientização desses povos dos problemas políticos, sociais e econômicos que assolam esses países. Neste caso, a internet agiu e continua agindo de forma benéfica, derrubando governos autoritários e pressionando melhorias sociais.
O argumento tem estreita relação com a tese defendida e revela um raciocínio lógico da aluna.

Em outro caso, bastante divulgado também na mídia, a internet serviu como instrumento de violação da privacidade. Fotos íntimas da atriz hollywoodiana Scarlett Johansson foram acessadas por um hacker através de seu celular e divulgadas pela internet para o mundo inteiro, causando um enorme constrangimento para a atriz.
Os argumentos são precisos e evidenciam o caráter analítico do texto. Os exemplos escolhidos cumprem o papel de fundamentar as críticas e validar a proposta futura de que há necessidade de conscientização em relação às informações postadas nas redes.

Analisando situações semelhantes às citadas anteriormente, conclui-se que é necessário que haja uma conscientização por parte dos internautas de que aquilo que for uma utilidade pública ou algo que não agrida ou exponha um indivíduo pode e deve ser divulgado. Já o que for privado e extremamente pessoal deve ser preservado e distanciado do mundo virtual , que compartilha informações para um grande número de pessoas em um curto intervalo de tempo. Dessa forma, situações realmente desagradáveis no incrível universo da internet serão evitadas.
Nesta CONCLUSÃO, o mérito da solução não está na inovação absoluta da proposta, mas na articulação clara e coerente com a tese defendida pela candidata desde o início do texto, além do reconhecimento de que o meio virtual é "incrível", ou seja, não representa um mal por si só.

Fonte: https://veja.abril.com.br/noticia/educacao/redacao-do-enem-parte-5-textos-nota-1-000-comentados