Meu descanso! A arte mais bela.

28/10/2012 20:53

 

 

      No crepúsculo do dia, um chocolate quente, um livro do lado, e pensando nela.  Esse é o meu descanso!

      Não há nada melhor que depois de um dia onde você vivencia uma desigualdade social, um poluição visual e sonora, pessoas que deixaram seu amor esfriar, falsidades, corrupção, desentendimentos, medo do mundo, mentes que te deixam decepcionado, uma fraqueza psicológica, pessoas te criticando por querer um mundo melhor e com atitudes melhores, não há nada melhor que depois de ficar a maior parte do seu dia em uma pseudo-sociedade, você se refugiar em suas filosofias taxadas pela sociedade como “isso é coisa pra doido, isso são coisas de quem não quer ganhar dinheiro”, e assistir na imensidão do céu um belo balé das nuvens com as cores que aparecem sempre no crepúsculo do dia, criando no céu a beleza da arte sem igual, os textos indecifráveis, as filosofias impensáveis, a imagem dela.

      O meu descanso começa na tardizinha do dia, quando eu começo a tirar meus livros escolares da mochila, colocando meus livros de “doido” dentro dela, pegando um dinheirinho para quando chegar na rua comprar um chocolate quente, e ir em direção aos “dois castelos do Império Romano”. Chegando “aos castelos”, já com o chocolate quente em mãos, tiro da mochila um livro e coloco-o do meu lado e dou uma golada no chocolate quente e olho para a arte mais bela: o céu. 

      É lindo esse encontro! Uma valsa onde as nuvens convidam as cores mais belas para uma dança linda e ao término dessa dança chegam as meninas que tomam conta da festa: as estrelas.

      Sozinho, não! Sozinho não! Com D-us*, eu penso em mim, eu penso no mundo, eu penso nos meus amigos, eu penso nela. Esse é o meu descanso, olhar para essa dança, pensar e sentir o abraço do vento, o grito do silêncio, as lembranças dela. Meu descanso parece uma coisa meio que estranha, não é? Mas é isso mesmo que acontece comigo, tento me refugiar sentindo a criação, e tentando me conectar com o Soberano, tento esquecê-la, mas... Mas eu não consigo. O meu descanso serve para isso, serve para tentar esquecê-la, porque durante o dia ela não sai da minha mente, mas quando eu estou no meu descanso, pausa-se a valsa e ela aparece em meio aquelas cores. Eu deito, olho para a torre do “castelo” a vejo... Descanso a mente, tomo o meu chocolate quente e penso nesse sentimento descontente.

      Quando as meninas chegam, o chocolate já quase no final, pego meu livro e sigo em frente... 

     Isso dói muito. Porque eu não sei como resolver isso. Esse sentimento!  Mesmo depois do meu descanso, tudo volta ao normal. Mas eu queria que isso fosse um descanso onde a arte mais bela tomasse conta de nós dois.

      Mas o que não sai do meu consciente é a arte mais bela, isso é o meu descanso, ela é o meu céu.  Meu descanso! A arte mais bela.

Marco Túlio Paim Ribeiro