Idades

16/06/2014 18:15

 

Para grandes perguntas são necessárias grandes mentes. A capacidade do raciocínio humano é impressionante, afinal, como é possível uma espécie evoluir tanto e descobrir tanto acerca de assuntos tão complexos? Entender o comportamento da matéria, compreender as formas de som, interpretar o mundo de infinitas maneiras, são todos exemplos das conquistas humanas ao longos dos séculos. Para esse conhecimento é necessário sabedoria, experiência, e até mesmo o que poderia ser definido como genialidade, não é mesmo? Não é bem assim. A idade é superestimada. Um número não é o suficiente para definir a vida inteira de uma pessoa, ou suas experiências, até mesmo suas vontades.

Essas tais grandes mentes passam despercebidas por multidões de outras mentes, e muitas vezes não chegam nem ao menos a se destacarem. Alguns casos são encontrados, como por exemplo, o americano Tanishq Mathew, que aos sete anos já começava o curso de Astronomia da Universidade de Stanford, ou Jacob Benett, que nos seus três anos já estudava Astrofísica, e hoje desenvolve uma teoria, através da Matemática Avançada, para provar a inocorrência do Big Bang. Esses são meros exemplos de crianças, sim, crianças, que não têm nada além de paixão e o intuito de algo atribuir à sociedade.

A idade não define quem somos, ela suprime nossas experiências, limita nosso contato com o mundo, dá e tira autoridade às pessoas, e tudo isso para que exista uma barra de progresso na vida de cada um. Sendo assim, deveriam existir vários tipos de idades, relacionadas à vida física, à maturidade, às conquistas, à pessoa como um todo.

Quem somos nós? Somos meros objetos compondo o mundo? Somos a soma das nossas memórias ou o fruto dos feitos de nossas famílias? Existe realmente o que cada um é? Se somos realmente alguma coisa, que cada um contribua com o que pode sem reconhecer barreiras, tanto relacionadas às idades, raças, religiões, etc. Somos todos alguém sim, e a nossa idade não está em nós, mas sim gravada nos nossos feitos para a sociedade, para o bem comum. Então, a partir de hoje, todos devíamos olhar para o mundo em que vivemos e ver as idades das pessoas que aqui viveram e contribuíram, parando pra pensar: quão velha é a minha alma?

 

Giordano Devêza é aluno do 9º ano e escreve mensalmente neste espaço.