Faça uma lista dos seus amigos

22/08/2013 19:39

                             

 

Aproveitando a ocasião do Dia Internacional do Amigo, celebrado no dia 20 de julho e a ocasião em que os alunos do Ensino Fundamental, anos finais, fazem o estudo da obra “O Pequeno Príncipe". Nossa reflexão se volta para esta simples e profunda realidade que envolve os relacionamentos humanos. Para isso, é importante pensar três aspectos: quem são nossos amigos; quem nos tem como amigo; e se existe alguém que não tenha amigo?

 

Quando algumas pessoas são questionadas sobre quem são seus amigos percebe-se um paradoxo entre as que têm facilidade em nominá-los e as que têm dificuldade. Atribuir a alguém o nome de amigo não, necessariamente, significa que o conceito de amizade foi compreendido, basta observar as redes sociais que são cheias de “amigos” que em número significativo apenas se esbarram e quase nunca ou nunca se viram. Já aqueles que percebem a riqueza do que é e significa um amigo percebem horizontes maiores deste relacionamento que ultrapassa o tempo e o espaço.

 

Em sua obra, Ética à Nicômaco, Aristóteles aponta um tratado das virtudes humanas dentre tais virtudes destaca-se a amizade. A virtude aristotélica consiste no cuidado e esforço de alcançar o equilíbrio entre os vícios da falta e do excesso como virtude necessária no compartilhamento da felicidade. A amizade perfeita é aquela que existe entre homens que são bons e semelhantes na virtude, ou seja, há a reciprocidade de caráter e de objetivos.

 

 Há, segundo Aristóteles, outro tipo de amizade que envolve a desigualdade entre as partes. São consideradas amizades acidentais aquelas que se fundamentam no interesse derivada do amor a utilidade e não ao outro por si mesmo, assim elas são facilmente capazes de se fragmentarem quando uma das partes cessa de ser agradável ou útil, pois existia apenas como um meio para se chegar a um fim.               

 

A dificuldade é muito maior quando a questão é sobre quem nos tem como amigo. Trata-se de uma situação que traz dúvidas, insegurança, angústia e às vezes medo de não ser amigo de ninguém. No entanto, mesmo não tendo certeza de quem nos tem como amigo é possível perceber sinais de quem se ocupa e preocupa conosco, de pessoas que “perdem tempo” conosco, cuida, ama e sofre por nós. 

 

Depois de refletir sobre quem são nossos amigos e quem nos tem como amigos, a terceira, e última, questão que se coloca é se existe algum ser humano que não tenha amigo. Tomando como referência O Pequeno Príncipe, mais precisamente a narrativa do encontro entre o prícipezinho e a raposa um fato marcante e sugestivo é de que o principezinho está à procura de amigo. A busca do pequeno príncipe pode ser a busca de todo e qualquer ser humano, independente da idade, etnia e classe social. O fato de não ter uma amizade virtuosa não significa que ela não seja almejada.

 

Resgatando o pensamento de Exupéry que define amizade dentro da dinâmica de quem cativa e cria laços, acrescentamos que tão importante quanto criar novos laços de amizade é manter os que já foram construídos. Por isso, partindo da letra da música de Oswaldo Montenegro A Lista, pensemos e façamos a lista dos grandes amigos: quem nós víamos há dez anos dez anos atrás e quantos nós ainda vemos todo dia quantos já não encontramos mais?

 

 

Evaldo Rosa de Oliveira é professor de Ética e Cidadania, Ensino Religioso e possui uma coluna mensal no site.