E o que faz você feliz?

23/12/2014 19:51

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Intervalo entre coisas pra fazer. Na procura de um ócio que fosse minimamente criativo, não resisti e liguei a TV. Não havia filmes interessantes, desenhos animados, futebol, nem jornal. A coincidência que encontrei foram três canais em momento comercial. Propaganda pura! É engraçado como o mundo comercial é perfeito! Rostos, cabelos, roupas, casais, carros, até animais de estimação: Tudo sem um pontinho errado, a mais ou a menos. Equilíbrio perfeito.

Numa dessas propagandas, veio-me um anúncio de uma rede de supermercados que, em meio à avalanche de imagens perfeitas e notas musicais harmônicas, me perguntavam o que me fazia feliz. Fiquei a pensar depois que o anúncio acabou. Pergunta boba com resposta complexa demais! Na minha cabeça de ervilha, coisa mais fácil e prática do mundo responder isso. Só que não. Então desliguei a TV, apaguei a luz e fiquei ali, quietinho, ouvindo as patas de uma cadela a triscarem o piso da área ao lado. Silêncio? Só dentro de mim...

Comecei a pensar o que me faz feliz. E eu que já não sou novo nem nada, contudo também não carrego as marcas da ingenuidade, descobri que, por mais paradoxal que pareça, felicidade não tem nada a ver com algo complexo. Pelo contrário, rima com as coisas mais simples do mundo. Quer ver?

  • Abraço longo e quente de amigo (a). Me faz feliz;
  • Café quentinho com pão de queijo.  Como me faz feliz!
  • Carinho pra dormir. Esse então...
  • Dar banho em cachorro em dia ensolarado de verão. Pra quem gosta de verão e de cachorro, faz um bem danado;
  • Cortar cabelo. Como é bom cortar as madeixas, lavá-las, secá-las e passar um creminho. No meu caso, que tenho uma vasta cabeleira, deleite puro.

 

Note caro leitor, que gastei, no máximo, 30,00 reais para ser feliz, visto que, teoricamente, cafuné e abraços não custam verdinhas. Cuidado se você crê piamente que será feliz se ganhar, sozinho, centenas de milhões na loteria. Uma coisa é uma coisa; Outra coisa é outra coisa.

É obvio que sua lista de felicidades deve ser outra. Nem melhor, nem pior: Apenas diferente. Tenho certeza de que você já leu sobre isso dezenas de vezes. Não custa reforçar algo mais sobre essa tal felicidade, não é mesmo?

Vou parar de escrever e vou ali fora fazer cafuné na cachorra que não para de andar no piso lá fora. Ela deve estar me chamando pra ser feliz um pouquinho...

Abraço cordial!!!

Dedico este texto às crianças de corpo e alma. Essas sim são felizes facilmente!

 

(Eduardo C. Souza é escritor, autor de Memórias de um homem quase sensato, e professor de História. Escreve mensalmente neste espaço.)

 

Confira outros textos do autor no linkColuna do Eduardo.