Como vai seu amor?

12/06/2017 18:09

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Aposto que você que me lê agora, se tiver mais que 35 anos, certamente lembrou-se da sua infância. Isso por causa da imagem que ilustra esta crônica. Não me lembro de onde essas figurinhas vinham: se em pacotinhos para colar num álbum ou em revistas ou jornais. O fato é que ela representou as relações daqueles que viveram há 30 ou mais anos. Agora até lançaram uma edição comemorativa com um casalzinho da atualidade. Não vi graça alguma. Confesso. As imagens de hoje estragariam o brilho da minha infância! Nem quis ir adiante no link.

Mas o que tem a ver isso tudo com o título do texto? Fácil resposta: Estou te perguntando, e a mim também, como vão nossos Amores. Sim! O que é Amar pra você? Esteja certo de que não é a mesma coisa que cinco ou dez anos atrás. Tudo muda, inclusive a noção do que é Amor, o que significa o Dia dos Namorados e por aí vai. E por falar em Dia dos namorados, vamos fazer uma análise do que era, e do que é importante para as nossas relações nesse dia tão comemorado, quanto discutido atualmente?

Quando mais novos, desejamos carregar o mundo para a pessoa amada. Transpomos barreiras do tempo e espaço, tal qual uma nave do Jornada das Estrelas, só para estar com ele ou com ela. Uma rosa? É pouco! Queremos logo comprar a floricultura inteira.

Se ele ou ela pediu um CD ou um livro específico? Bobagem! Dê logo o box musical inteiro ou a coleção do autor favorito! Se seu par queria jantar num lugar fino, você ia lá, ficava horas e horas numa fila de espera, só pra conseguir o tão almejado lugar no restaurante estrelado. E no final das contas, a comida nem estava tão boa assim. Sem falar no chocolate, que, naquele tempo, tinha que ser Belga ou Suíço para agradar à pessoa amada.

Com o tempo vamos percebendo que menos é mais. Como assim? Se estamos longe um do outro por motivos de estudo ou trabalho, o Skipe ou o whatsapp nos consolam. O livro, o CD, ou o perfume pedido são suficientes. O chocolate pode ser nacional. Já o jantar de longas filas num espaço chic, pode ser trocado pela pizza preferida dele (a) no aconchego do lar. Com a idade, vamos percebendo que sair e viajar é ótimo. Mas voltar para casa, pro seu travesseiro, seu chuveiro, seu sofá, não tem preço. E aí, vale aquele clichezão que funciona: São as pequenas coisas que valem mais, já dizia o peta da Legião Urbana.

Então voltando ao título da crônica, pense aí como vai o seu Amor. O que você tem feito para cultivá-lo? O que “Amar é” pra você nesses tempos de cão: É apenas um grupo de emojis pro seu crush no final do dia ou um apertado abraço e um longo beijo, ainda que na testa dele (a)? Preste atenção no valor que anda dando a este mundo virtual, em que não fazemos nada por inteiro e corremos o perigo de deixar nossas relações mais vazias. Valorize o real, o palpável, o cheiro, o gosto, o toque. Vamos dar mais sentido físico aos nossos relacionamentos?

Fica aqui a sugestão.

Abraço cordial!!!

 

 

Eduardo C. Souza  é professor de História, escritor romancista, contista e cronista. Escreve mensalmente neste espaço.