Como estão Los Hermanos?

28/07/2014 20:24

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Aposto uma pizza gigante, no melhor restaurante da cidade, que você pensou que eu iria falar de uma certa banda de mesmo nome do título acima, certo? Mas não. Tampouco falarei do resultado final da Copa do mundo deste ano. O buraco e o mapa mundi indicam algo mais embaixo. Explico: Noutro dia, zapiando pelos canais da TV paga, deparei-me com uma entrevista. Era um intelectual argentino que filosofava sobre a relação dos brasileiros com los hermanos.

Se não me falham a memória de professor e o faro de apreciador de História, esta relação estranha começou no século XIX com a questão cisplatina, quando nós e eles disputamos a região que hoje pertence ao Uruguai. Dali pra cá as coisas ficaram meio estranhas, até que o futebol revelou toda a animosidade e adversidade entre estes povos. Mas rixas à parte, convenhamos, os caras tem um monte de coisas que adoramos: Uma picanha que só eles sabem fazer de tão suculenta; um tango bem tocado, que até arrepia os cabelos do braço; Certos estádios de futebol que, caldeirões, fazem muitos estádios daqui parecerem caçarolas em “banho maria”. No futebol, o astro do momento é deles; Na hierarqiua máxima do catolicismo também; No cinema, caras como Ricardo Darin (dos filmes “Um conto chinês” e do ótimo “O segredo dos seus olhos”) e Gael Garcia Bernal (Diários de motocicleta) tem talento de sobra. Na literatura eles têm um certo Borges, que foi tão talentoso nas letras quanto o homônimo craque do meu time de futebol, nos gramados. Ok, exagerei um pouquinho na comparação...

Então, a certa altura, o intelectual do programa solta a seguinte frase:” A verdade é que os brasileiros adoram ter que odiar os argentinos; E os argentinos odeiam ter que adorar os brasileiros”. Perfeito! Não precisa nem dizer que eles adoram as praias, a culinária e a música tupiniquim. Dê um pulinho em Porto Seguro na “semana do saco cheio” e veja com seus próprios olhos... 

Mas aí você me pergunta: “Você não tinha nada de mais importante para falar, não?” Tenho sim:  O fato de nos esforçar para reconhecer a beleza e as coisas bacanas onde estão, sejam quais  e como forem essas coisas. Não interessa se são turcas, russas, chinesas ou... argentinas! Então, se os argentinos têm tanta coisa legal para apreciar, porque não curtir? Reconheçamos as virtudes do outro e ponto final. Sem estresse.

Achou o texto meio amargo? Talvez você queira algo mais doce no final: Prove, então, o alfajor dos caras. Prefira um que começa com a letra H  e da caixa amarela (marketing gratuito não vale). Depois a gente conversa...

Abraço cordial!!!!

 

(Eduardo C. Souza é escritor -autor de Memórias de um homem quase sensato- e professor de História. Sim! Ele considera Pelé MUITO melhor que o Maradona...)

 

Confira outros textos do autor no linkColuna do Eduardo.