As Quatro Emoções

09/02/2015 20:44

 

Observei a neblina branca e pura adentrar janela;

Pude sentir o frio invadir o meu corpo nu de certezas,

O leve toque do inverno sobre minha pele pálida, que está para chegar, seguido da primavera

A qual anseio para florescer Minh'alma e meu corpo inteiro;

Renova-me, primavera, depois desse devastador outono em que transpareci todas as minhas fraquezas.

 

A faísca do verão apagou-se, assim como o sol se rende a lua:

Fui capaz de vê-la partir, apagar-se lentamente e não pude evitar.

Cai em prantos como uma criança ao ver o seu brinquedo quebrado em meio a movimentada rua,

Chorei, esbravejei, na falsa tentativa de soltar a fria mão que estava a me apertar.

Renova-me, primavera, depois desse devastador outono que me derrubou sem ter onde apoiar.

 

Apreciei o inverno, na ânsia da primavera, como uma louca a dançar,

Subi na janela da torre e observei a lua do mar:

“é interessante observar, o inverno congela meus pensamentos, minhas emoções,

mas nunca o vi congelar este mar”.

 

Deixei-me cair para não desmoronar,

Deixei-me cair para me banhar do luar.

 

Sobre a água rasa, andei;

Sobre o mar profundo, nadei;

 

Por má sorte ou bom azar, não pude me afogar

A faísca do verão, não totalmente apagada, me fez mergulhar.

Renova-me, primavera! Não deixe que meu corpo afunde mar adentro, não deixe minh'alma queimar.  

 

 

 

Maria Letícia, ex-aluna do CAOP, jovem escritora, amante das artes e, na literatura especificamente, de autores como Alphonsus de Guimaraens e Vinícius de Moraes.