Alô! Você mente ao telefone?

13/05/2016 16:49

       

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Tarde de sexta-feira. A louca correria em direção a um suposto fim-de-semana dos sonhos tem seu início. Eu, como de costume, sem tempo para resolver meus petardos burocráticos na “rua dos Bancos”, resolvi almoçar num restaurante tipo self-service. Assim que servi meu prato e pus-me a degustar os variados legumes e verduras que escolhi, comecei (involuntariamente, já me defendo) a ouvir a conversa de duas jovens na mesa ao lado. Eram garotas que pareciam ter saído da escola naquele instante e estavam loucas para colocar a conversa em dia. Continuei na minha, tendo a minha boca a fazer seu papel gastronômico. De repente, o celular de uma delas tocou. Ela prontamente o atendeu e começou a falar aos berros para alguém do outro lado, que parecia cobrar algo.

A moçoila justificou sua falta de tempo para a conversa, dizendo que estava no banco. Como assim? Pensei com meus botões. Bastava dizer que estava no almoço, ou acompanhada, certo? Mas não: Ela preferiu mentir e encerrar logo a conversa. Daí, fiquei pensando nas dezenas de vezes nas quais posso ter sido enganado com este tipo de conversa e outras variantes.

Você, fônico leitor, já deve ter ouvido coisas do tipo: “Já estou chegando”. Eu, sinceramente aposto que, em 90% dos casos em que a pessoa diz estar chegando, é porque sequer saiu em direção ao seu destino. Ou então, quer coisa pior do que quando você faz um pedido de comida, gás, água mineral ou afins e parece que rola uma demora de séculos na entrega? E quando você está com pressa, então? Lembrei-me até de uma música do Gil que diz “de jangada é uma eternidade; De saveiro leva uma encarnação”. Pois de moto, principalmente aqueles apressadinhos a voarem e se espremerem no trânsito, deveria ser mais rápido. Dureza é ouvir “seu pedido já saiu daqui” e ter de esperar uma órbita terrestre para que chegue ao seu, ao meu, ao nosso destino.

Pois então, não seria melhor se disséssemos a verdade?

“Não saiu daqui ainda, mas não vai demorar tanto”

“Estou almoçando. Posso te ligar depois?”

“Estou na metade do caminho. Espere mais ‘tantos’ minutos.”

Essas pessoas ingênuas, que se dizem empresários, ainda não perceberam que talvez o bacana seja marcar 20 minutos de espera e chegar em 15. E nós, exigentes clientes que somos, ainda ficaríamos felizes e “fiéis” por causa da eficiência, não é mesmo?  Vai entender o ser humano...

Então, combinemos: Para evitar ansiedade, impaciência, raiva e desconfiança do outro lado da linha, não vamos mentir ao telefone, ok?

Mas aí, você vai querer me perguntar se mentir ao vivo é permitido? Isso será um assunto pra outra crônica...

Abraço cordial!!!

Abraço cordial!!!

 

 

(Eduardo C. Souza é é professor de História, escritor romancista, contista e cronista. Escreve mensalmente neste espaço).