Alguém entende?

10/09/2015 18:04

Foto: www.eventplanner.tv

 

Volta e meia começo meus textos citando o fato de estar vendo TV, quando tenho uma ideia sobre o que escrever. E isso é verdade. Embora esse cubo mágico tenha o papel de nos entreter, você há de convir comigo que saem de lá verdadeiras pérolas. É só uma questão de se ter uma veia crítica mais perspicaz para perceber as armadilhas a que somos expostos. Falemos um pouco sobre a oferta de produtos mágicos que nos tornam mais lindos e saudáveis. Pelo menos essa é a promessa...

Vou falar primeiramente sobre um produto cosmético, no mínimo inusitado: Um tal veneno que é retirado de certo animal peçonhento que dá medo em muita gente. Não vou citar o nome exato, para “não dar na cara”, embora seja no rosto que ele seja aplicado. Primeiro, eles colocam mulheres sem maquiagem, com a testa franzida e semblante triste. Depois, aplicam o produto (pelo menos é o que parece!) e colocam uma nova foto, ao lado da antiga, com a mesma mulher, maquiada, com a testa lisa e sorrindo. Me diga se tem algum bobo aqui? Não é melhor sorrir, se maquiar e impedir que as rugas venham naturalmente? Aliás, como diria o parceiro Facebook, se for para ter rugas, que seja de tanto rir, certo?

Mas o ápice da minha dúvida televisiva e mercadológica foi no dia em que vi um comercial de uma assadeira elétrica, automática que por pouco não falava. Ela tinha a promessa de fazer uma coxinha tão seca, mas tão seca, que nem parecia uma coxinha. Como assim, alguém me explica? Que eu saiba, para ser uma coxinha, original e com selo de autenticidade, ela precisar ser.... frita!

Mais adiante, a moça do comercial, com voz de aeromoça, de tão suave, dizia que a banana ficaria tão saudável que nem ficaria com gosto de banana. Então você se propõe a comer algo com gosto de outra coisa, só porque é mais saudável? Acho que é melhor comer algo que você queira, mesmo que seja em porções menores e de vez em quando. A não ser, por exemplo, que você se farte de picanha, mesmo sem poder, e que esta carne tenha gosto de isopor. Aí já é com você, meu caro e minha cara que me lê...

Alguém entende destas artinhas das indústrias de cosméticos e alimentos? Eu ainda estou tentando entender. Se você já entendeu, explique-me por favor. Até lá, façamos o seguinte: Vamos ter rugas de tanto sorrir e nos permitir comer algo que amamos, de vez em quando. Felicidade não se encontra em galões, nem fardos. Ela se encontra em gotas, partículas, momentos.

 Saibamos encontrá-la e aproveitá-la!

Abraço cordial!!!

(Eduardo C. Souza é escritor- autor de Memórias de um homem quase sensato- e professor de História. Ele prefere uma fritura real a dez cozidos artificiais, feitos no vapor super higiênico de panelas high tech).