Você Anda Correndo?

15/05/2012 16:25

        

        Antes de comentar a estranheza deste título, começo este texto saudando os queridos visitantes e apreciadores deste espaço literário, bem como agradecendo a caríssima professora Cláudia  pelo gentil oferecimento a quem vos escreve, desta coluna, que será mensal, pelo menos inicialmente. Vamos ao texto sem delongas...

 

Salvador Dalí. A persistência da Memória 1931

 

        Você, caro(a) leitor(a), deve ter achado estranho o título; afinal, andar seria correr devagar? Ou correr seria andar mais rápido? Eu iria mais além e perguntaria: você anda fazendo suas coisas em uma correria só? Pois é. Talvez até lhe falte tempo para ler este texto direito, não é? Na semana passada passei por um momento “saia justa”: um ex-aluno meu ao conversar comigo em uma cerimônia na qual nos encontramos, soltou a seguinte pérola:

        -  Onde foi que eu te vi? Ao que respondi:

        -  Na fila do teatro, numa pressa danada.

        Ele então , concluiu:

        - Ah! É! Você só anda correndo mesmo, não é? 

        Depois dessa triste constatação, pus-me a pensar no que realmente é verdadeiro. Infelizmente só ando correndo mesmo, e o pior: nem sinto mais que estou neste ritmo. Você também sente isso consigo ou com alguém próximo de você? Pobre de nós!

        Depois da Segunda Guerra Mundial, passamos  a viver na 3ª fase da Revolução Industrial e suas características  são exatamente estas: velocidade de informação, instabilidade e incerteza de mercados financeiros, aceleração e uniformização de hábitos de consumo, entre outros. Com isso, nossa cultura vai ficando cada vez mais massificada e, por não dizer, automática.

        Sem mais filosofias para o momento e já ciente do meu ( e possivelmente o seu ) estado acelerado, proponho a criação de um dia – ou pelo menos uma tarde – na marcha lenta, no slow.

         Será que  conseguiremos tomar um banho na valsa - como diria Lenine- com mais calma, sentindo os pingos da água caírem sobre nossas costas? Será que o beijo e o abraço em quem gostamos poderá ser mais demorado e acalorado? Será que conseguiremos comer  mais pausadamente, sentindo o sabor verdadeiro dos alimentos?

        Pense nisso, caro(a) leitor(a),  e pelo menos tente ver se é possível, no meio de desta correria toda, implantar um pouco de poesia e carinho em sua vida. A proposta está feita. Pratiquemos!

        Para fechar, coloco aqui uma questão de prova, dos 6º anos, para sua análise:

        Nós controlamos o tempo ou o tempo nos controla?

 

                                       ( Eduardo C. Souza é professor de História e escreve neste espaço mensalmente.

                                           Ele promete que vai tentar correr menos...)

                                                                                                                                                                        Contato: eduardodesouza72@gmail.com