Vai uma pílula aí?

04/10/2012 12:32

 

                                                                    Capa do CD 'I'm with you', décimo CD do Red Hot Chilli Pepers.

                                                                    Algumas capas de discos são verdadeiras obras de arte.

 

    Vez por outra me pego a ouvir histórias loucas, quase macabras, sobre nossa adoração por remédios. Sim, nós somos loucos por um alívio imediato, já dizia o poeta do Rock.

    A mídia adora rotular-nos de geração fast food, on line, Just in time e outras expressões que designam uma coisa só: rapidez. E de rapidez em rapidez, vamos fazendo tudo no automático. Como nefasta consequência, desejamos que tudo venha rápido e na velocidade da luz.

    Então, alopático leitor, você já deve estar imaginando que deveria existir um remedinho mágico e rápido para TODOS os nossos problemas, certo? Como esse medicamento ainda não existe no mercado, vamos tomando  uma pílula aqui, outra ali para qualquer dorzinha ou incômodo. Gripou? Antibiótico! Alergia? Antialérgico em doses cada vez mais cavalares. A garganta incomoda? Anti-inflamatório nela!  Dor de cabeça? Chame a Neusa! Estou, por acaso, mentindo?...

    O problema todo é que vamos encharcando nosso organismo com toda essa parafernália bioquímica, e chega uma hora em que alguma reação adversa há de rolar. Você então, do alto de sua sabedoria, me pergunta: e você não toma remédio não? Sim, eu tomo e não são poucos. Poderia até listá-los, mas não estou a fim de fazer marketing gratuito para os caras. Esta coluna, acredite, é para mim também. Não tenho nenhuma caixa de remédios em casa, mas recorro a alguns para minhas necessidades crônicas ( aqui  não cabe o trocadilho...), como a hipertensão ou a rinite alérgica.

    Como percebem não sou exatamente um exemplo a ser seguido, mas posso fazê-lo (a) pensar a respeito. Então, reflita a respeito dessas “pílulas” abaixo:

  • Dor de cabeça? Um bom café e um banho morno;
  • Estresse? Cinco minutos de silêncio e um belo entardecer. Se estiver chovendo, pare a mão em uma goteira por 5 minutos e feche os olhos. Depois você me conta...
  • Dores musculares? Um chamego gostoso e um banho quente;  
  • Insônia? Aquele livro que você quer terminar há tempos e não consegue.
  • Queimação no estômago à noite?  Deite-se com o lado esquerdo do corpo para baixo;
  • TPM? Um tablete de chocolate meio amargo, acompanhado da melhor amiga.

    

    Com essas “pílulas” lanço uma reflexão para o restante do seu dia:

    

Todo remédio é caro e necessariamente amargo?

   

    Desejo-lhe melhoras e um abraço cordial!!!

   

PS: Essa crônica é para os garotos da Banda Mastur ( obrigado pela experiência sonoro-sensorial) e para Luíza Barbieri, por me proporcionar “ mais vida simples”.

 

                                                 ( Eduardo C. Souza é professor de História e escreve mensalmente neste espaço. Ele considera que  algumas dores são  necessárias e que pílulas alopáticas às vezes resolvem, às vezes não.)