UTILIDADES DE UMA HORTA

20/04/2015 18:00

Querido aluno, guarde esse texto para auxiliá-lo em seus estudos. Caso queira baixá-lo, no seu computador, bastar clicar  no link abaixo:

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UTILIDADES DE UMA HORTA

Por Luana Freitas (ecóloga e permacultora)

 

              Veja a figura ao lado e responda: O que você vê? 

 

 Se você vê alimentos, acertou. Se você vê alimentos e remédios, ganhou um troféu joinha, mas se você vê alimentos, remédios, temperos, bactérias, fungos, pássaros, borboletas, joaninhas, pulgões, aranhas, minhocas, besouros, larvas, flores, relaxamento e amor, aí você realmente pensou em uma horta.

 Vamos começar por partes. Por que fazer uma horta? Em primeiro lugar, porque é simples, saudável, gratuito e muito recompensador. O ato de cultivar representa uma experiência educacional muito forte, e ao fazê-lo, especialmente se for de forma orgânica, ou seja, livre de transgênicos e agrotóxicos (falaremos mais desse veneno daqui a pouco) está também a contribuir para que o ambiente que o rodeia seja mais saudável e equilibrado, está a ajudar a manter a saúde da terra, a melhorar a sua saúde e pode ainda fazer novos amigos ou fortalecer as amizades que já possui. Plantar é terapia! Relaxa a mente, traz tranquilidade, felicidade e paz.

 Já reparou que, muitas vezes, não sabemos de onde vem, quem plantou quem colheu, quem cultivou nosso alimento? Agora imagine se essa pessoa for você mesmo. Imagine a sensação de comer um morango ou um tomate colhido direto do pé, sem se preocupar sequer em lavar a casca, já que você sabe exatamente o que está nas em suas mãos. Não seria o máximo? Pois é possível!

 Lamentavelmente, os agricultores familiares (aquela tia que vende couve na porta da sua casa ou na pracinha aos domingos), estão sendo cada vez menos valorizados e com isso, a preocupação com a qualidade da alimentação também. Hoje em dia, de um modo geral, não se come para se alimentar, mas para encher a barriga e saciar a fome. O problema disso tudo, é que você não tem certeza do que está comendo. Quando você compra um vegetal no supermercado ou no sacolão comum, na grande maioria das vezes, foi utilizada uma quantidade enorme de agrotóxicos ou insumos agrícolas naquele produto aparentemente inofensivo.

 Agrotóxicos, como o próprio nome já diz, tóxicos, são remédios  que agem matando os animais e outros seres vivos que procuram as plantações para se alimentar. Esses bichinhos, são desde fungos e bactérias até um parente bem próximo de nós, nosso primo eu diria, os ratos. E aí, nessa história de joga venena aqui e acolá, vão -  se os bichos “ do mal” e do bem, ou seja, aqueles que ajudam as plantações, como os pássaros, que comem as sementes e as dispersam, os insetos polinizadores, que levam o pólen de uma flor a outra resultando na produção da semente, os microorganismos do solo, que comem a matéria orgânica em decomposição (apodrecida) e a transforma em adubo, as minhocas que tem a mesma função, etc. Sem a ajuda desses animais, fica difícil ter sucesso na lavoura, daí a solução é mais veneno. Além de animais, os agrotóxicos também são usados para matar os chamados “matinhos” (explico o motivo dessas aspas depois), que não são de interesse do agricultor e que acabam nascendo no meio das outras plantas.

Ufa, gente, é veneno demais! E isso tudo vai pro nosso prato depois? Acredite, vai!!!!

E não há como retirá-los do alimento, pois ele se incorpora aos tecidos da planta e, por mais que você  os descasque, o que está na polpa não sai.

Pôxa, mas se fosse assim, não era pra estarmos mortos? Não é beeeem assim. Na verdade, por ser uma quantidade pequena pra nós seres humanos, que somos muito maiores que as “pragas” das lavouras, eles não nos matam repentinamente. Apesar de haverem registros de mortes de trabalhadores que tem contato direto com esses produtos, durante a aplicação.

O efeito desses produtos em nosso corpo é tardio, ocorre aos poucos e estudos recentes relacionam a ingestão a longo prazo de alimentos contaminados com doenças como câncer, infertilidade (incapacidade de ter filhos) e depressão.

O problema nem são os agrotóxicos propriamente ditos, apesar de ser perfeitamente possível cultivar alimentos sem o uso desses produtos. O grande problema é que se aplica uma quantidade maior que a permitida, se usam produtos, muitas vezes proibidos, justamente por serem muito perigosos e não se respeita o intervalo entre uma aplicação e outra e assim, eles acabam sendo levados, de carona com os alimentos, às nossas mesas e estômagos.

 Concluindo, muuuuuito melhor produzir nosso próprio alimento, né gente?

Mas nem tudo está perdido. Existem formas de fugir ou pelo menos, evitar alimentos contaminados ou muito contaminados e aí vão algumas dicas:

  • Plante o máximo de hortaliças, frutas, legumes, temperos e plantas medicinais que puder.
  • Falta de espaço não é problema. Faça horta vertical. Plante em vasos, latas, Pets cortadas e pendure na parede, além de tudo, fica lindo! Uma cebolinha que deixar de comprar, já vai ser um lucro pro bolso e pra saúde.

Se puder, prefira alimentos orgânicos. Eles têm esse selo de garantia 

 

  • Os orgânicos no Brasil, infelizmente, são mais caros, mas só depende de nós, consumidores, fazer com que se tornem mais baratos. Quanto mais procura, mais oferta e a tendência é que os preços diminuam. Dar uma reclamada no SAC do supermercado ajuda um pouco também.
  • Na hora de escolher os alimentos, prefira os menores, disformes (meio tortinhos e feinhos), com furinho ou bichinho (eca não, se tiver bicho comendo, é seguro pra você também).
  • Quanto mais maduros melhor, quer dizer que o agrotóxico foi aplicado a mais tempo e já pode ter sido degradado (ele se perde com o tempo).
  • Comprar os alimentos na época que coincide com sua safra também é uma boa, já que a planta, naturalmente, irá produzir os frutos, sem a necessidade de uma grande quantidade de insumos agrícolas (agrotóxicos) para induzi-la a isso. 

Lembra da história dos matinhos a qual me referi lá em cima? Muitos desses vegetais são comestíveis e muito nutritivos, mas são ignorados. Em breve falaremos mais sobre eles, os famosos PANC´s (plantas alimentícias não convencionais), que certamente serão bem vindos em nossa Arqui horta.