Um Entrave à Paz

11/07/2012 21:55

 

Escrever é difícil. Talvez uma das atividades mais difíceis. Se comunicar apenas por palavras, sem gestos, sem expressões, sem entonações... É claro que a pontuação auxilia, mas, de qualquer forma, é muito difícil transformar milhões de ideias geradas em palavras, acentos e pontos e organizá-los de uma forma que represente-as fielmente. Por isso é importante que o leitor saiba ser um verdadeiro leitor, que ele saiba tentar entender o que o autor está tentando dizer com aquilo que escreveu. Quando conseguimos compreender o que o autor está querendo dizer com aquelas palavras, estabelecemos uma conexão com ele. E é essa conexão que traz prazer ao ler. Então, vamos tentar...

 

Um entrave à paz.

 

Estava caminhando pela cidade em uma linda tarde. Havia muitas pessoas, havia grama. Havia um pai e um filho, uma criança. O filho dando a mão pro pai, que parecia estar procurando algo. O filho puxava o braço do pai, que não dava muita atenção. O filho parou. O pai olhou para ele.


- Papai, por que a grama é verde?


Eu estava passando por perto, e ouvi a pergunta. Achei interessante. Diminui o ritmo para acompanhar o diálogo.


- Porque é verde, e não azul.


O filho, depois da brilhante colocação do pai, continuou a andar e deixou sua dúvida pra lá.

 

Não gostei do que eu ouvi. E então resolvi refletir sobre aquilo.


Crianças são como blocos de pedra, prontos para serem esculpidos, e é na infância que a maior parte da obra é feita. No caso, os artistas são os pais. É na infância que é desenvolvida a mente da criança: os valores morais, o comportamento, a memória, a curiosidade, a mentalidade. Essa é a etapa na qual o ser precisa de mais atenção, de mais cuidado. É a parte mais importante da vida depois da gravidez. É agora a hora de saber o que é certo e o que é errado, as barreiras e os limites. Os limites. Talvez o mais polêmico de todos, o limite.

 

O que é limitar uma criança? Cortar as asas de uma ave que quer voar? Deveria ser crime!
Não quero dizer à respeito da educação moral, do respeito pelos pais e pelos outros. Digo quanto à imaginação da criança. Ela quer descobrir o mundo e é bloqueada pelos pais, e até pela professora. Me lembro de quando as professoras do ensino fundamental diziam que era impossível dividir um por dois, e subtrair dois de um.


-Professora, e quanto é um menos dois?


-Isso não existe, Lucas!


Eles te travam enquanto você quer, para te entregarem mais tarde, quando não quiser mais.

As duas cenas nesse texto exemplificadas não são incomuns. Ao contrário, são cada vez mais comuns. E são o grande entrave à paz. Me refiro à paz absoluta, não apenas à paz entre as nações. O ser humano atualmente vive perturbado por estar degradando a natureza, por não saber de onde vem, pra onde vai. Pelos conflitos sociais e econômicos, pelas perguntas mal respondidas e soluções inexistentes. Por não entender a vida.  E ele só não entende, porque no início, quando ele começa a desenvolver a linha de pensamento que o encaminharia para a resposta, ele é travado pelo seu líder.

 

Então acredito que se as crianças fossem levadas a sério, fossem tratadas com respeito, fossem incentivadas a pensar desde cedo, teríamos mais perguntas, mais respostas, e estaríamos muito mais perto da paz absoluta. A educação começaria a se autotransformar, a violência seria reduzida, finalmente viriam soluções eficazes para a natureza, para o capitalismo, para os conflitos. Tudo vem da base, da educação mais pura, desde o início e não do dinheiro.


É claro que o mundo acima citado é hipotético, mas se os pais dessem o valor que seu descendente precisa, ele provavelmente o superaria, e assim começaria a transformação.

Tudo o que eles querem é atenção, então por favor, por que ao invés de "Porque é verde, e não azul." Ou " Porque é." Ou " Porque Deus quis." não responder "Não sei, filhão, o que você acha? Vamos tentar descobrir?".

 

Quem sabe o seu filhão não é o novo Isaac Newton? Está em suas mãos.

 

Lucas Lacerda