Tá reclamando de quê?

07/03/2013 19:35

 

                                                      

                                                                                     ( O grito- Edward Munch)

 

Pensei em usar a imagem acima nesta crônica, pois para mim ela expressa uma reclamação, um sinal de que algo pode não estar bem, um grito de desespero mesmo. Acertei? Não sei. Depois você me conta. Mas vamos ao assunto da crônica.

O carnaval passou e o ano “começou” pra valer. Volta e meia ando percebendo alguém, ou até este mesmo que vos escreve, reclamando de alguma coisa aqui, outra ali, resmungando baixinho acerca das lamúrias do mundo. Concluo previamente que o ser humano nasceu para reclamar! Vejamos apenas um pouquinho desta tétrica suspeita: reclamamos do calor, do frio; se chove um pouco a mais, reclamamos; se o sol dá as caras mais de três dias, bradamos também. Reclamamos da presença, da saudade; choramingamos acerca do ócio e do trabalho.

Fazemos este ato ao nascer, pois nos foi tirado o conforto do útero. Então, nosso primeiro ato é berrar. E depois, com o passar do tempo, em algumas situações, tudo que queremos é voltar para o útero de nossas queridas mães. Reclamamos ao crescer, pois ficamos doidos para chegar “lá”, e quando chegamos, queremos voltar aos velhos tempos. E reclamamos ao morrer, pois até desejaríamos ficar um pouco mais.

Quando jovens, reclamamos por falta de dinheiro; quando adultos, reclamamos pela falta de tempo e quando idosos, reclamamos pela falta de saúde. E antes que você ranzinza leitor, reclame deste texto, aqui vão algumas experiências sensoriais que vão te ajudar a reclamar menos ou a não fazê-lo:

  • O trânsito está complicado? Experimente andar em um ônibus lotado. E em pé;
  • Está impaciente com sua mãe? Passe um dia das mães com alguém que já perdeu a sua;
  • Sentiu frio nesta noite? Durma no banco da praça e sozinho;
  • Está achando que seu cabelo está simplesmente horrível? Pense na possibilidade então de ficar sem ele por que teria que fazer quimioterapia para tratar de um câncer;
  • Passou a se achar horroroso (a) por causa de umas espinhas no rosto? Veja um documentário no Youtube  ou na TV paga intitulado “o homem sem face” e depois tire uns minutos para reflexão.

 

Não, eu não estou dizendo que não tenho problemas ou que não reclamo nunca, por nada. Longe disso. O fato é que depois de tomar uns tapas de luva, como diz a minha sábia mãe, passei a relativizar meus problemas e ver que existem coisas MUITO piores do que os nossos pequenos problemas do dia a dia.

 

Por fim, vale uma dica preciosa que está em dezenas de livros de autoajuda, mas que eu te digo aqui e agora, poupando seu  dinheiro com livros que fingem que te ajudam e tempo com leituras duvidosas que você possa vir a fazer : valorize o que você tem. Simples assim.

Abraço cordial!!!

 

Dedico esta crônica aos meus alunos dos 6ºs anos. Nesta idade, eles têm a ótima mania de não reclamar de quase nada.

 ( Eduardo C. Souza é professor de História e escreve mensalmente neste espaço. Ele respeita seus reclames, mas recomenda cautela neles.)