Qual o preço das estrelas?

05/08/2013 21:18

 

                                      

                                                           Asasdasletras.blogspot.com

 

Noite dessas estava eu em uma das escolas que trabalho. Lá também estava uma turma de alunos de física de um projeto de extensão. Faziam uma aula expositiva sobre Astronomia e tinham, por companhia um super- telescópio eletrônico. Não chegava a ser nenhum Hubble, mas me empolguei. Formaram então um grupo na quadra e ficaram lá, como formiguinhas em volta do doce. Ele tinha uma potente lente e luzes vermelhas em um painel no que parecia ser mais uma nave espacial. Fantástico!

Fui até lá um pouco. Quem sabe conseguiria ver o lado claro da lua ou o que restava dele até aquela hora. Cheguei a brincar com um  deles que dava pra ver os buracos do satélite natural. Então perguntei quanto custava uma belezinha daquelas. O ajudante simplesmente não respondeu. Senti que ele despistara um pouco e preferiu fingir que não havia entendido. Confesso que na minha ingenuidade, pensei que o telescópio estivesse sendo montado para a escola. Mas não. Ele estava como um cometa: só de passagem.

Fui para minha sala de bola murcha, mas entendi a engrenagem do sistema. Hoje em dia não se pode dizer certas coisas. Há uma frase de rede social que acho ótima: “Não grite alto a sua felicidade. A inveja tem sono leve”. É verdade. Não sei se ele pensou que eu, talvez, estivesse de olho no telescópio. Não era o caso. Mas a realidade atual é esta: Nós não podemos mais dizer que e porque estamos felizes; Não podemos dizer quanto custou o livro ou o CD que acabamos de comprar; Não podemos mostrar nas redes sociais todas as fotos que tiramos em dado local ou evento, pois convenhamos, há um monte de gente por aí que quer o que você, seu pai, sua mãe ou seus irmãos têm.

O problema é que este mesmo monte de gente vê (ou, às vezes, gasta tempo imaginando!!) o que nós temos e aí começam as energias e “ olhos gordos” a nos espreitarem. Não sou nenhum torcedor ou fã fervoroso, mas quanto a isso, sou taxativo: SIM, EU ACREDITO!!

Até hoje não olhei o preço do aparelho da discórdia. Também já desencanei com a estória. Pra terminar recorro ao tema-título deste texto para aquela refletida básica: Agora até as estrelas podem ter preço. Não necessariamente elas, mas o seu acesso. Se por acaso você conseguir chegar lá, vibre, comemore e curta. Porém não compartilhe tanto; Ou se o fizer, saiba com quem está, literalmente, lidando. E não grite aos quatro cantos do mundo. Tem muita gente querendo chegar lá, mas também desejando que você não chegue.

Dedico este texto a todas as pessoas discretas do mundo. Ter ou ser não precisa necessariamente aparecer.

Abraço cordial!!!

(Eduardo C. Souza é professor de História e escreve mensalmente neste espaço.

Ele mostrará suas melhores fotos a você; é só pedir...)