Qual é o seu preço?

19/09/2016 17:13

 

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Mesa mineira farta. Café no bule cheirando. Passava das quatro da tarde e a conversa estava boa. O assunto da semana era um suposto título carnavalesco “comprado” por uma escola de samba carioca, a qual teria recebido uma dezena de milhão de Reais para versar sobre as belezas perfeitas de um país embebido na ditadura militar por mais de três décadas. “Um absurdo!”, bradou um dos conversantes com cara de mordomo inglês em filme de sessão da tarde.

Aí, pra esquentar a conversa, cutuquei a onça com a vara curta: Mas então, perguntei ao cavalheiro, se te oferecessem o mesmo valor para deixar seu grande sobrado colonial inteiramente reformado, novinho em folha, mas em troca você teria, apenas, que colocar um cartaz daquele grupo Estado Islâmico na fachada, apoiando-o. Aquele mesmo, que corta cabeças e depois coloca os vídeos no Youtube. O que você faria?

A conversa então, travou em uma pausa de longos dez segundos. Depois, o cavalheiro respondeu: “Sim, eu aceitaria”. Logicamente, a conversa tomou outros rumos, os quais não cito aqui, para não fugirmos de nosso tema...

Eu e você tomaremos outro rumo, então: Todos têm seu preço? Informo-lhe que essa sua reflexão pode ter resultados drásticos. Vejamos: O que ou quanto você daria para ter uma Ferrari na sua garagem? Ou para ter uma mansão no Alfaville de alguma metrópole? Ou para ter o corpo perfeito? Ou para passar em Medicina numa Federal? Ou para viajar o mundo? Ou para ter uma noite dos sonhos com aquele ou aquela pessoa para a qual você vira os olhos ou o pescoço, quando vê? E olha que a lista vai longe...

Noutros tempos, diria que seria necessário vender a alma ao diabo para conseguir tais façanhas. Depois descobrimos que o diabo pelo qual tínhamos medo na infância, costumas ser considerado pela maioria das religiões, uma construção. Pessoalmente, acho que o diabo atualmente vem disfarçado de outras alegorias (pra usar um termo das escolas de samba já citadas). Hoje, vendemos nosso brio, nossa honra, nossa coragem, nossas raízes e até nosso voto, por um punhado de Dólares, Euros ou Reais mesmo. Voltamos a comer carne, tratamos bem a uma ditadura, mostramos nosso corpo em posições que fariam um ator pornô corar de tanta ousadia. Tudo isso por um punhado de verdinhas, como dizem...

E no fim das contas, pergunto: vale a pena? Diria o poeta que tudo vale a pena se a alma não é pequena. E aí, serei de novo o advogado do diabo (perdoe-me pelo trocadilho): Para fechar nosso papo reflexivo, te pergunto: Se tudo vale a pena quando a alma não é pequena, então qual seria o tamanho de sua alma?

Abraço cordial!!!!

 

 

 

Eduardo C. Souza  é professor de História, escritor romancista e contista. Cronista neste espaço, escreve com periodicidade mensal.