Penitência pra quê?

08/03/2015 17:45

 

 

Carnaval findado, ano iniciado. Frase feita pra brasileiro aprender a usar, embora este nobre povo adore pensar que o período pós-carnaval é quando se iniciam os trabalhos, literalmente. Mas e depois, o que fazer? Pra onde mirar seus esforços e  seu suor de cada dia? Diria aquele personagem do desenho: “Oh vida! Oh céus!”... Não tem jeito: Bola pra frente. E aí, começa a quaresma. Para os católicos, hora de meditação, análise, conscientização, mudança de postura. Se você tem mais de trinta anos como eu, vai se lembrar da época em que não podíamos sair de casa ou então ter que voltar cedo por causa deste “universo do medo ou do terror”. Até de assombrações tínhamos medo. Águas passadas. A própria cúpula da igreja católica tratou de desanuviar este inconsciente coletivo.

Depois, houve uma época em que o crente–o que crê, sem conotações– deveria ver-se privado de algo de que gostasse muitíssimo: álcool, cigarro, refrigerante, doces, novelas, carnes e outras coisas que nem devem ser ditas neste espaço. Águas passadas, parte II.

Sim porque, em conversa com um padre, disse-me o cavalheiro que esta prática tem sido abandonada. E não porque, mesmo em minha vizinhança, vejo destes exemplos, ou seja, gente que deixa de comer isso ou aquilo, mas desconta até no cachorro do vizinho, toda a sua síndrome de abstinência. Pode isso, caro leitor? Tenho por mim, que não.

Então, fiz-me de cobaia e tinha me proposto ficar sem o bendito whatsapp. Sim, ele mesmo. Você acha que consegui? NÃO. E quer saber por quê? Porque este aplicativo não serve apenas para mandar piadas ou coisas sem-noção. Pode ser uma ótima ferramenta de comunicação com a família, amigos distantes, alunos e até serve para dar avisos urgentes ou mesmo muito tristes, como de gente que morreu. Verdade. Então, porque ficar sem o tal aplicativo?

Eu perdi a aposta? NÃO. Propus-me a realizar algo mais positivo para a humanidade: Tentarei não julgar os outros. É muito mais difícil do que ficar sem whatsapp ou sem meus amados doces depois do almoço. Acredite. E quem ganha com isso? O mundo, a população, as boas energias e vibrações do planeta. Além de mim, claro! Já pensou toda a humanidade mais serena, ética e iluminada, sem espaço para futricas e fofocas? Eu gostaria, e não seria pouco, viu?!?...

Bora tentar?

 

 

Abraço cordial!!!

(Eduardo C. Souza é professor de História e escritor- autor de Memórias de um homem quase sensato. Escreve mensalmente neste espaço e apóia mudanças positivas, pra já!).

E-mail: eduardodesouza72@gmail.com

Confira outros textos do autor no linkColuna do Eduardo.