O pôr do sol. Parte I

10/12/2015 14:26

O pôr do sol--- Parte I

                                   

*Este texto é uma história de ficção. Para facilitar a leitura, ele foi divido em: “O pôr do sol–Parte I” e “O pôr do sol–Parte II”. Espero que gostem! Uma ótima leitura a todos! Obrigada.

 

Eu, Lili, membro de uma família muito unida, sendo eu a filha número 2 de 4 filhos, ultimamente não tenho me contentado com nada. Ando pela minha casa entediada e não sou capaz de achar nada de útil para fazer-- o que é mentira, já que a gente sempre tem uma coisinha ou outra há fazer. Mas, isso tudo mudou numa certa tarde, especificamente faltando aproximadamente uma hora para o sol se pôr...

Lembro-me até hoje do que aconteceu neste dia. Era um fim de tarde lindo, os pássaros cantando, meus pais regavam as plantas que haviam no quintal, e meus irmãos, que sabiam que eu era muito brava com eles e por isso me deixavam em “paz”, estavam a correr e a subir pela escada que levava-os até a casa da árvore. Eles adoravam ficar na casa da árvore ou ter o que eles chamavam de “interação familiar com a natureza”. Eu, vou ser sincera, achava aquilo tudo um tédio, e mais chato ainda era o fato de eu não ter nenhuma amiga(o) para conversar. Sempre fui uma pessoa que digamos ser “difícil de conviver”, embora eu não acha isso, mas enfim, enquanto todos estavam a desfrutar aquele fim de tarde ao ar livre, eu me tranquei no meu quarto e antes que eu fosse pegar meu celular, que estava em cima da mesinha, notei algo estranho atrás do meu guarda-roupas.

Imediatamente fui ver do que se tratava, e quando notei o que era, confesso, perdi um pouco de ar, mas consegui me recompor. Era uma baú, mais ou menos do tamanho e da largura de duas caixas de sapatos juntas. Mas não era um simples baú, era o “tesouro mágico” -- assim que meus pais e meu irmão mais velho, que já tinham visto e entendido seu real significado, o chamavam—era o baú do meu avô. Meu avô faleceu aos 76 anos de idade, e lembro-me que ele sempre falara daquele “objeto”. Ele dizia a mim: “Filha, um dia irá perceber que não adianta ser uma pessoa tão complicada assim. De complicado já basta a vida, não é mesmo?! Agora, trate de escutar seu avô e seus pais que só querem seu bem, minha pequena grande adulta. Um dia, não sei se vou estar em vida ainda, mas um dia, eu ou seus pais vamos presenteá-la com um objeto “mágico”, digamos assim. E quando esse dia chegar, quero que entenda o real significado dele e também quero que lembre-se de uma coisa: isso significará que você tornou-se uma bela mocinha e já estará na hora de você torna-se uma pessoa melhor, se é que me entende.”

Fiquei paralisada e sem saber como agir diante de memórias e mais memórias que surgiam na minha cabeça. Como meu vovô me falara, agora que já sou uma mocinha, de 17 anos por sinal, chegou a hora de torna-me uma pessoa melhor e mais madura. Com “melhor”, meu avô queria dizer mais amorosa e sociável com aqueles que só me queriam bem, resumindo parar de ser “mal criada” e torna-me uma “boa” adulta, digamos assim.

Após alguns minutos de muito pensar, abri o famoso baú. Não me impressionou, nem me comoveu o que eu vi dentro dele. Eram apenas cartas e algumas fotos antigas, nada de mais, pensei. Mesmo não tendo ficado surpresa, resolvi dar uma “passada de olho” naquilo tudo. Achei umas cartas que meu avô escrevera para minha vovó no período em que eles ainda eram só namorados. Pois é, a carta literalmente veio do “fundo do baú”. Decidi ler todas, eram cartas pequenas e eram poucas. Quando acabei, não sei por qual motivo, fiquei emocionada com as palavras românticas e muito fofas que meu avô escrevera. Aquilo, juntamente com as fotos que vi logo após a leitura, mexeram muito comigo. As fotos não eram só dos meus amados avôs, mas eram de toda a família que tinham construído. Minha mãe, filha caçula dos 8 filhos que tiveram, estava ali, a sorrir com seus irmãos, dentro, do que me parece ser um galinheiro. Minha mãe sempre me contara que naqueles tempos, a vida era muito difícil, por isso sempre falava para eu e meus irmãos agradecermos pela boa vida que passávamos. Realmente, levávamos uma vida “mansa” e muito boa. Fiquei olhando aquelas fotos em preto e branco por um bom tempo. É, meu avô conseguiu... Acho que percebi e entendi qual era o real sentido daquelas coisas no baú.

 

A história continuará em: “O pôr do sol – Parte II”. Aguardem...

 

Amanda Lopes escreve regularmente neste espaço. 

É ex-aluna do CAOP e atualmente cursa o EM no IFMG.