Sexismo

11/02/2014 18:07

Monólogos de um louco sem hospício X: Sexismo

 

 

"Significados:  

Sexismo: Formas de comportamento e ideologias nas quais são atribuídas determinadas disposições e capacidades a indivíduos ou grupos simplesmente por causa do sexo a que pertencem. Trata-se de uma forma de discriminação, que conduz à subalternização, à marginalização ou mesmo à exclusão de pessoas ou grupos com base no seu sexo. Resulta, no fundo, da tendência para estabelecer estereótipos pretensamente fundamentados na Biologia, reflete a forma como o poder é distribuído e quais os grupos com acesso ao discurso definidor de identidades.”

Machista: 'algo ou alguém que defende a superioridade do homem sobre a mulher.'

Femista: 'algo ou alguém que defende a superioridade da mulher sobre o homem.'

Feminismo: 'movimento social constante, pela igualdade de direitos entre homens e mulheres.'"

 

 

Comecei o meu texto com uma breve explicação dos termos para que ninguém se confunda em meio aos meus pensamentos ou me interprete errado. Ou vai interpretar mal... sempre tem um que faz isso. Enfim, meu assunto de hoje, se eu já não deixei bem claro, é o sexismo.

Expliquem-me, além dos órgãos reprodutores e dos hormônios, qual a diferença entre um homem e uma mulher? Além de toda a questão física, qual é a diferença? Por favor, me expliquem que eu quero realmente saber. Já me falaram coisas do tipo: “é que depois a mulher é quem carregar a culpa (entrelinhas: o filho)” e também “tem coisa que é função do homem”.  Então tá, pra essas duas “explicações” eu tenho uma explicação de verdade.

Se depois a mulher que carrega a culpa/o filho, tem que mudar isto, do homem não assumir suas responsabilidades, e não o fato das mulheres não poderem fazer tudo o que os homens fazem sem serem tachadas. E essa segunda frase (que eu acho que provavelmente foi a mais machista e idiota que eu já ouvi) é o seguinte: você é homossexual? Dorme com homem? Namora com homem? Se sim, você pode falar isso, eu aceito. Se não, sua namorada/ “peguete”/esposa não pode fazer nada também, pois  ela é mulher e  está nesses seus termos de “tem coisa que é função do homem”. Se tem coisa que é função do homem, qual é a da mulher? “Esquentar a barriga no fogão e esfriar no tanque”? Cómico. Espere sentado(a) pelo dia em que eu vou achar sentido nisso, e olha que um louco tem tempo para analisar de vários e vários ângulos.

Outra coisa que me irrita é a chamada “Marcha das Vadias”. Isso já perdeu o sentido e o ideal feminista faz anos. Hoje é só uma desculpa para garotas se vestirem como garotas de programa (ou pior), escreverem em si mesmas, variações desse termo (porém, mais ofensivo) e homens ficarem lá olhando e se aproveitando das mulheres. Querida mulher, escrever que você é uma garota de programa na sua pele e sair na rua, mostrar seus seios e usar saias que não tampam nada apenas para pagar de “cult” não vai mudar NADA nesse mundo, e você não vai parecer mais legal por isso. E sem falar que essa marcha tem ideais femistas e não feministas. Julgam-se feministas, mas a maioria nem sabe o que isso realmente significa, pois se soubessem estariam fazendo um movimento totalmente diferente.

Quer provar que é melhor que os homens? Estude ao invés de se tachar de “garota de programa”. Consiga um bom emprego e suba de cargo mais rápido que o seu concorrente homem. Mesmo eu discordando de sexismo, ao menos, por essas atitudes, você estará fazendo um bem para si, para a sociedade e provando que pode ser melhor que os homens.

O grande problema nisso tudo é que a maioria não sabe chegar a um meio termo. Não falta consciência feminina ou masculina, falta consciência humana. A coisa mais irônica da vida é ouvir um sexista falando dos desejados “Direitos iguais” como se realmente acreditasse nisso. É algo do tipo: “Todos nós merecemos/devemos dar/receber um tratamento igual. Mas homens têm tais direitos e mulheres têm outros.”

Na minha humilde opinião de jovem escritora, o mundo deveria ser feminista. Um mundo feminista acabaria com 50% da hipocrisia. Mas pensando pro outro lado, acabaria com 50% da graça de ver a ignorância em relação a esses termos citados no início do texto.

 

 

Recomendo ouvir após/durante ler esse nada breve texto:  “Pagu” da Rita Lee"

 

 

 

Maria Letícia Nolasco é aluna do CAOP e escreve mensalmente neste espaço.

Confira outros textos da autora no link: Coluna da Maria Letícia.