Monólogos de um louco sem hospício VII.

30/01/2015 14:37

 

“Mar calmo nunca fez bom marinheiro.”

 

Andei meio sumida, não por falta de criatividade, mas por coisa demais para falar sem ter muito o que dizer. Então finalmente venho gratificar vocês (ou não) com o retorno de meus monólogos (nem que seja por educação, comemorem).

Resolvi começar o meu texto hoje com uma frase de vó -muito boa, por sinal- que eu achei num status de whatsapp, mas que encaixou muito bem no (com)texto. Deixe-me explicar do que desejo falar: decepções, frustrações, erros e etc.

Comecei a minha noite com uma notícia não muito boa: a minha maior ambição vai ter que esperar mais um ano. Sonhei muito alto e tomei um belo de um tombo, mas isso não significa que devo voar mais baixo, ao contrário de Ícaro, minhas asa não derretem. Agora eu preciso de curar as minhas asas para alçar voo novamente.

Então vamos falar de frustrações. Nascer é uma frustração. Poxa, estamos tão quentinhos e confortáveis no útero de nossas mães e de repente temos que vir pra esse mundo estranho, cheio de gente estranha e coisas estranhas. Mas aí paramos de chorar toda noite, aprendemos a andar e quando finalmente nos acostumamos... como assim Papai Noel não existe? Ok, foi um exemplo bem besta, mas vai falar que você não ficou chateado quando seus problemas passaram de “ser um bom menino” ou o bicho papão embaixo da cama, pra problemas reais? E quando finalmente descobrimos a realidade, você descobre que é muito mais fácil dar um passo pra frente e dois pra trás, mas você não pode deixar que isso aconteça, você tem que lutar – e muito- para não retroceder, mas por mais que você tente, a vontade de se deixar cair e não levantar mais parece que só aumenta. Você começa a procrastinar e tenta se convencer mesmo que está dando 110% si mesmo, você sabe que é mentira, mas começa a desacreditar na sua capacidade, afinal, quem é você para ser o melhor em alguma coisa? Não vale a pena nem tentar, desistir é mais fácil, mais cômodo...

A questão de tudo isso é a seguinte: vontade de desistir, todos têm, alguns, mais que os outros e eu sou uma dessas. Ou melhor: era uma dessas. Quem sou eu pra ser a melhor?! Eu sou a melhor, só por tentar. Eu tenho que ser a melhor para mim mesma e eu só vou ser quando eu começar a acreditar na minha capacidade e lutar pelo o que quero - super clichê? Claro, o que seria de meus monólogos sem os meus clichês? -, mas a verdade é que cada um tem o seu dom (por mais idiota que seja) e deve investir nele. O dom é um diamante bruto e o talento é um lindo colar de diamantes da Chanel, e vamos combinar: nenhum bela joia é feita sem um esforço e repetidas tentativas, quando sai de primeira, é a sorte ao seu favor. Ainda assim, nem sempre dá pra contar com a sorte, acaso ou o que seja. Então garanta pelas suas próprias mãos, antes que a sua chance caia nas mãos de outras pessoas. Acredite em mim: nenhuma oportunidade é igual a outra.

“Toca Raul!”. Que música melhor pra esse texto do que Tente outra vez- Raul Seixas?

 

 

 

Maria Letícia Nolasco é ex-aluna do CAOP e escreve mensalmente neste espaço.

 

Confira outros textos da autora no link: Coluna da Maria Letícia.