Infância – Lucas Bovaretto

24/06/2013 18:21

Aluno: Lucas Bovaretto – EF82

Livro: Infância

Autor: Graciliano Ramos          

 

Na cidade de Buíque

Um menino feio e raquítico nasceu

Seu nome era Graciliano

Que todas as torturas sofreu

 

A mãe, dele não gostava

Pois era feio como um joelho

Por isso, dava-lhe cocurutos na cabeça

E beliscões que de dor chorava

 

Mudaram-se para Viçosa, onde o pai era comerciante

E quando fazia mal negócio

Era em Graciliano com chicote

Que sua raiva passava adiante

 

Estava em idade escolar

E seu pai foi seu primeiro professor

Mas o medo de apanhar era tanto

Que "d" com "t"  vivia a trocar

 

E a cada erro uma surra

Com a palmatória nas mãos a inchar

Que com o pai

Graciliano nem conseguiu soletrar

 

Foi ai que o pai virou delegado

E para a escola Graciliano foi

Mas assim como na casa

Na escola, vivia a apanhar calado

 

Adoeceu, ficou sem enxergar

Mas sua mãe ao invés de ajudá-lo

Chamava-o de cabra cego

Rindo do filho para magoá-lo

 

O tempo passou ligeiro

E, com ajuda de um professor de artes,

Aprendeu a ler e escrever

E no teatro a participar e ser

 

Tornou-se ator e escritor

E estava apaixonado

Um dia, ao acordar

Percebeu que num homem ele havia se transformado

 

Por defender um negro

Da fúria do pai-delegado

Apanhou excessivamente

E jurou nunca mais apanhar como um coitado

 

Foi assim que na manhã seguinte

Pegou a roupa que restou

E aos doze anos para a estrada rumou

E de carona ao Rio de Janeiro chegou

E, para Vçosa, só aos vinte seis anos voltou

 

Lucas Bovaretto