Filosofia da Existência ou Existencialismo

08/09/2013 13:58

 

Filosofia da Existência ou Existencialismo na superação de um mundo feio e sem esperança.

 

            Nenhuma filosofia nasce ou morre no acaso ou por acaso, mas toda filosofia surge dentro da história e pertence a ela. Olhando para a tradição filosófica desde os Pré-socráticos até nossos dias, a filosofia sempre participa do caminhar da história da humanidade.

            Por isso, um momento forte na vida humana e, principalmente, daqueles que estão fazendo escolhas profissionais e/ou vocacionais podem ser refletidas e trazidas à luz de uma corrente filosófica, o Existencialismo ou Filosofia da Existência que aparece nos fins do século passado verbalizada, pela primeira vez, sistematicamente na expressão da experiência do filósofo Kierkegaard. Essa vasta corrente filosófica surge em um momento histórico em que a humanidade vive uma crise geral: crise política, econômica e social.

            Em meio a toda esta conturbação histórica, costurada de profundas crises e decepções, é que vamos nos deparar com o Existencialismo. Essa filosofia pode ser chamada de filha da crise, já que ela brota como um sinal de contestação a essa realidade. Ele busca, com seus conceitos, ser um porta-voz para o ser humano desiludido e falido em seus projetos. Deste momento para frente, o Existencialismo vai se enraizando cada vez mais em todos os pontos do ocidente, vai se impondo, quanto mais clara fica a situação histórica de uma Europa e de um mundo marcados pelo esfacelamento de duas grandes guerras. É quando a humanidade carrega em seu bojo uma grande carga de mal-estar e vergonha por tantas tragédias produzidas por suas mãos que o Existencialismo vai se inserindo na vida das pessoas.

            Os corações estão vazios de sonhos e faltam-lhes aspirações, discernimento nas escolhas. Tudo parece gelado e sem vida, as pessoas, como que de cabeças baixas, andam sem rumo, sem saber onde ou o que buscar. É nesta sociedade contemporânea marcada por tantas angústias e fracassos que o Existencialismo surge como tentativa de uma resposta corajosa e profunda ao vazio espiritual que a humanidade está vivendo. A busca de consolo para tanta angústia e desilusão não é mais nas ciências, no Absoluto ou no otimismo romântico do século XIX, mas, sim, na existência frágil, contingente e gratuita da pessoa humana.

            É na experiência do profundo vazio da existência humana que os existencialistas, partindo de Kierkegaard até Sartre, buscam sentido para a vida humana; eles não propõem, como no Positivismo, uma história preestabelecida, em que o destino do homem já está fatalmente traçado, mas veem o homem como um projeto original que está para se construir. Por fim, pode-se dizer que, talvez por ser esse projeto tão incerto, é que tenha adquirido tanto espaço em uma sociedade tão vulnerável como a sociedade contemporânea.

 

 

Evaldo Rosa de Oliveira é professor de Ética e Cidadania, Ensino Religioso e possui uma coluna mensal no site.