Em algum lugar.

06/11/2013 19:46

 

 

 

"Pai", amigo, padrinho, irmão. Passou a vida evitando a tensão. Herói jamais esquecido que a falsidade tinha aversão. Não é só dizer que sinto sua falta e não fazer sermão. Não sei ficar triste ao lembrar de seu sorriso, ou da sua risada contagiante. Para alguns foi tão fácil, mas para muitos, como eu, foi difícil seguir adiante.

Não é tão simples te imaginar me vendo e me protegendo e me convencer que, em algum lugar, no futuro próximo ou distante, você vai estar me esperando. E, enquanto isso, eu continuo apenas respirando. Existindo, indo, sentindo, faltando, procurando algo para preencher a sua falta. Se há algum motivo para eu continuar tendo fé em algo, é para que eu não me desespere e não me perca ao imaginar que não o verei mais.

Será que eu já consegui mostrar a falta que me faz? Não, impossível. Impossível demonstrá-la em palavras ou em gestos. Então eu não demonstro. Eu guardo, tranco, finjo que ela não existe, apenas para que um dia ela possa existir de uma vez, e se cessar, quando eu puder ouvir novamente sua risada marcante.

Esse texto é dedicado a todas as pessoas das quais sinto falta, em especial, meu tio, padrinho e segundo pai. 

 

Recomendo ouvir durante/após ler esse texto "Someone, somewhere - Asking Alexandria" versão acústica.

 

 

 

 

Maria Letícia Nolasco é aluna do CAOP e escreve mensalmente neste espaço.

Confira outros textos da autora no link: Coluna da Maria Letícia.