E se o Meu Verde For o Seu Amarelo?

03/06/2012 21:33

 


 

    Você por acaso já enxergou pelos olhos de outra pessoa? Será que o que eu chamo de verde é o que você chama de amarelo? Se sim, então qual é o verdadeiro nome da cor? O que é verdadeiro?

 

    

O fato é: cada um tem seus olhos (e suas verdades) e por enquanto não é possível trocá-los. Então eu nunca saberei se o meu laranja é realmente o laranja "verdadeiro", afinal, eu aprendi com os outros que aquilo que eu vejo se chama laranja. Se os outros enxergam exatamente o mesmo que eu, aí já não tem como eu saber.

    Existe o eu, existem "os outros" e existem "uns outros". Quem sou eu?  Só sei que não sei. Para alguns, sou um "dos outros" e para outros sou um dos "uns outros". Os "outros" são as pessoas que comigo convivem e/ou têm influência sobre mim. E por último, os "uns outros" são aqueles que ou eu não conheço, ou não tem influência alguma sobre mim.

    Cada um tem sua forma de pensar. Eu penso de uma maneira que tem certa influência dos outros. E existem pessoas que pensam completamente diferente de mim, pois tem a sua própria maneira de pensar e são influenciadas por outros outros.

    Vamos então traduzir isso. Na Língua Portuguesa, o eu é chamado de opinião própria, os outros são chamados de cultura e os uns outros de diferentes ou estranhos.

    Sim. Eu tenho a minha própria forma de pensar, formada pelo espaço, pela família e pelo que eu já vivi e também influenciada pela cultura da minha região. Aquele que pensa de forma contrária, que não se assemelha a mim ou a minha cultura, é estranho, diferente.

    O grande problema é que cada um pensa que a sua opinião é a certa, já que sempre viveu com aquela cultura e aquela opinião, travando assim a mente. E o outro grande problema é que hoje existem cerca de 7 bilhões desses "cada uns".

    E a solução? Antigamente era fácil. Bem antigamente, eu digo. Na idade da pedra as tribos eram menores, cada uma tinha sua cultura e interesses e havia, dentro da própria tribo, menos divergência entre as opiniões próprias. Se caso uma tribo encontrasse a outra e houvesse algum problema, esse problema era rapidamente resolvido com a luta, com o combate, com a força.

    Hoje não... Hoje tem o diálogo, tem a lei. E, cá pra nós, me diga qual é mais fácil e prático: tentar convencer uma pessoa que tem uma rígida mentalidade, formada por anos de interações com pessoas e espaços diferentes, influenciada por toda um cultura de que ela é que é a errada, ou utilizar da força física para manter a sua forma de pensar como a dominante? Aliás, o que é certo e o que é errado?

    Certo é o que não é errado, e errado é o que não é certo. Mas quem é que diz o que é certo e o que é errado? A lei? E quem é que criou a lei? Quem disse que os criadores da lei estavam certos? E qual lei é a certa, a atual do Brasil, a da Suíça, ou a da Roma Antiga?

    Chega de perguntas... Com o tempo foi esse o modelo de sociedade que cresceu e evoluiu, então o dever é aceitar e se adaptar a ele. Mas, lembre-se sempre, em qualquer ocasião: e se o verde que você enxerga for o amarelo do outro?

 

        Nem sempre o que para você é claro é realmente o mais luminoso.

 

Lucas Lacerda