Deus e o Sofrimento

21/11/2013 15:00

 

 

SE DEUS É BOM, PORQUE EXISTEM O SOFRIMENTO E A DOR?

 

O sofrimento humano sempre foi tido como objeto de reflexão humana há muito tempo filósofos, teólogos, estudiosos das diversas ciências, magos, religiosos, pessoas do povo, sempre quiseram decifrar o enigma do sofrimento humano seja para afastá-lo ou evitá-lo. Desse emaranhado emerge: Por que o sofrimento? Quem causa o sofrimento? Se Deus é bom, porque existem o sofrimento e a dor?

É difícil experimentar os atributos de bondade, misericórdia e amor de Deus quando o mundo é rodeado de iniquidade, vingança, ódio e guerra. Trata-se de um contexto que não remete inquietação, reflexão e angústia. Por isso, teólogos e filósofos, ao longo das várias escolas, debruçaram e continuam a debruçar sobre essa realidade humana. Destacando um novo horizonte racional e espiritual.

É fácil, cômodo e ,em alguns momentos, até uma necessidade humana culpar Deus pelas suas limitações, misérias e sofrimentos, em detrimento da estrutura própria de cada homem.  Mas Deus é mais que ético, ele quis criar o ser humano livre, ao criar o homem e a mulher Deus não determinou sua ação, apenas criou e o criou por amor.

Dentre os motivos do sofrimento humano, destaca-se o fato de serem humanos, ou seja, todas as pessoas estão sujeitas às doenças físicas, psíquicas e espirituais. Não é Deus quem castiga o ser humano com as doenças, mas ele as contrai porque é limitado, é mortal, é finito, Deus não é sádico.

O sofrimento pode ser causado, ainda, pelas atitudes de outras pessoas por quem se tem grande carinho e amor. São sofrimentos que não estão diretamente ligadas ao comportamento pessoal, mas a atitudes erradas ou de sofrimentos de pessoas pelas quais nutrimos grande amor e consideração.

Outra explicação para a origem do sofrimento se dá na consequência das escolhas erradas que cada um faz ao longo da vida. Dada a dificuldade humana em discernir os caminhos que trarão felicidade para a vida, gerando sofrimento para si e para aqueles que compartilham da sua vida.

Além da dimensão racional, pode-se destacar a importância do sofrimento, lugar e tempo de aprendizagem e exercício da esperança. Não se trata de ser masoquista, mas de aceitar a tribulação e nela amadurecer, de encontrar o seu sentido, pois o simples fato de amar implica sofrimento. Já que amar exige sempre saída de si mesmo, nas quais se deixa podar e ferir. Sem essa renúncia dolorosa, seria puro egoísmo. Dessa situação concreta, cabe ao homem perceber que sua estrutura é frágil: ama e odeia; angelical e demoníaca; de luz e de treva; de criatura e não de criador. E que só pensará no sofrimento de modo intenso quando ele bater a sua porta.

 

Evaldo Rosa de Oliveira é professor de Ética e Cidadania, 

Ensino Religioso e possui uma coluna mensal no site.