Decifrando o desemprego e seu conceito

19/03/2016 15:29

 

O Brasil, sendo esta nação em desenvolvimento que é, não poderia não estar passando por momentos históricos relevantes como este na qual nos encontramos sem que antes fosse impulsionado por um grande fator: a crise econômica mundial. O que levaria pessoas das mais diversas condições e etnias a juntas reivindicarem direitos e tão fervorosamente exigirem mudanças do governo? Cidadania? Ah, não! O processo do crescimento econômico de nosso país não foi acompanhando pela construção da consciência cidadã, o que faz de nós perpetuadores de um sistema colonial em que os senhores defendem seus direitos e os oprimidos permanecem colonizados, fazendo com que esta não seja a causa pela qual a população brasileira esteja agitada, e sim, a ameaça aos privilégios da elite. Desde a globalização, o sentido literal da crise mundial se tornou muito mais relevante a medida que países começaram a se desenvolver e claro, destas crises financeiras que aumentam lucros de empresas o mesmo se aplica a nível mundial, o que equivale a dizer que quanto menos desenvolvido um país for, maior  o prejuízo enfrentado diante a crise.

Neste país onde os benefícios aos pobres nunca haviam sido concedidos, empresários se enfurecem com a diminuição de seus costumeiros lucros exacerbados em tempos de crise. Analogamente a estes fatos se devem o porquê do envolvimento/reivindicações popular(es). Uma das consequências diretas da crise é o desemprego e, por isso se da à causa de ser o assunto do momento. Mas as causas pelas quais as taxas de desemprego aumentam estão somente interligadas com a crise? Não! São quatro as causas pelas quais isso ocorre, são elas a: cíclica, estacional, estrutural e friccional. Respectivamente, cada uma delas se dá pelos seguintes motivos: falta de trabalho durante uma recessão/crise econômica; falta de trabalho durante períodos específicos em um ano em decorrência da falta de oferta de empregos duradores que conferem estabilidade ao empregado; falta de trabalho por pouca oferta deles no mercado; por último, mas não menos importante: falta de trabalho pela não consentimento/não aceitação das reivindicações do trabalhador por parte do empregador ou pelas condições do empregador não aceitas pelas do trabalhador.

O desemprego beneficia empresas que aproveitam da situação do país para diminuir a oferta e aumentar o preço dos produtos. Esta também é a época de maior lucro dos banqueiros, uma vez que com a diminuição da circulação do capital faz com que o número e uso dos cartões-eletrônicos se dobre. Ultimamente o governo tem sido alvo de severas críticas da população, não há dúvidas que este fato se fundamente na redução dos  incentivos fiscais. O povo também reclamou dia 17 de junho de 2015, quando a presidenta sancionou com vetos a lei que alterava premissas do seguro desemprego. A grosso modo a lei previa que a assistência financeira pelo governo prestada ao desempregado fosse maior, permitindo com maior facilidade o acesso dos desempregados ao dinheiro. O que boa parte do povo pensa é que a presidenta – a este ponto se desconsidera a ideia de governo e passa-se a imaginar um regime totalitário – não lhes quer beneficiar, mas, a realidade é que em períodos de crise tem de se reter gastos e não multiplicá-los. 

O povo precisa se munir de conhecimentos para então criticar um governo, precisa saber de seus direitos a fim de reivindicá-los, precisa de instrução para reconhecer um sistema de opressão que se perpetua e construir um país digno para todos. Todos temos voz, e somente precisamos estudar uma situação para transformá-la.

 Carolina Araújo

 

Sou uma garota de 16 anos fascinada pela escrita e pela ciência, predisposta a amar história e todos os laços étnicos que ligam os povos. Atuo como presidente em uma ONG de serviços humanitários, o Interact Club de Ouro Preto.