Castanhos

01/08/2013 21:07

 

Seus olhos. Seus olhos eram castanhos como folhas de outono, carregava neles a mesma paz. Eles eram cheios de alegria e pura felicidade apenas por viver. E então ele viu que apenas viver não era o bastante, ele queria mais, mais do que a simples felicidade de viver. Ele queria o que não tinha e o que ele deveria ter, mas não podia. Então ele procurou conforto em outro lugar.

Seus cabelos, seus cabelos eram castanhos escuros e desajeitados. Desajeitados como seus pensamentos, sentimentos... Então ele procurou mais desajeito e confusão para combinar com sua confusão interior.

Seus olhos continuam castanhos, mas não são castanhos como as folhas de outono. São castanhos como os galhos das árvores, nus e congelados do inverno. Possuem ira e frieza, ódio carregado e alimentado durante muito tempo, desde que ele possuía alegria por viver. Viver, pra quê? Ele sempre se pergunta isso, apesar do medo de morrer. Confuso, indeciso, tem vergonha, mas não tem medo de se mostrar... arriscar...

Seus cabelos são desajeitados como sua vida, pensa que ninguém se importa, mas, inacreditavelmente, eu me importo, sei que a culpa, do seu desajeito, não é sua.

 

 

Recomendo ouvir durante/após ler esse texto: Tempo Perdido- Legião Urbana:

 

 

Maria Letícia Nolasco é aluna do CAOP e escreve mensalmente neste espaço.