A Tesoura Dimensional

08/05/2017 18:24

    A janela abriu e soltou um vento de inverno um tanto quanto incômodo. Era o meu alarme da natureza dizendo: “já chega”. Me livrei das cobertas que me prendiam na minha cama muito confortável e levantei para tomar um café. Segundos depois, ouvi meu irmão me chamando e provavelmente acordando todo o resto da casa:

    - Larissa, ACORDAA!- Ele nunca está quieto, mas já me acostumei.

    - Já acordei, Felipe!- Disse enquanto andava até a cozinha.

    A cozinha é muito fria! Eu que não iria me arriscar a abrir a geladeira para pegar o leite. Terei que me contentar com o café puro mesmo.

    De novo, uma janela abriu com o vento. Era muito azar para uma pessoa só! Nunca posso tomar um café calminha no meu canto...

    - Ué? - Disse enquanto fui olhar para o lado de fora da janela - ­Há uma tesoura vermelha brilhante no meio das flores de minha mãe.

   - Que estranho! Será que ela esqueceu a tesoura de novo? Mas essa aqui não parece com a dela... - Pensava enquanto olhava para a tesoura.

      Decidi deixar isso de lado por uns minutos para poder tomar meu café. Assim que o acabei, lembrei que tinha que cortar umas imagens para o trabalho de Geografia. Que sorte que achei essa tesoura, tinha perdido a minha antiga.

   Subi as escadas com a tesoura na mão direita e a mochila na esquerda. Quando cheguei no último degrau, meu irmão apareceu na minha frente, do nada!

    - Que susto!- Pulei e soltei minha mochila.

    - Oi! Você acordou!- Ele dizia com um sorrisinho.

    - Depois dessa, tenho certeza que sim.- Acariciei a cabeça dele, peguei a mochila e entrei no quarto.

    Chegando no meu “ninho” abri a mochila, peguei meu caderno e tirei as imagens dele. Assim que comecei, uma luz muito forte apareceu no quarto e soltei a tesoura estranha.

     -SENHOR DE DEUS! - Dei um grito mais alto do que o do Felipe.

    Logo depois disso, a luz começou a fazer uns movimentos um tanto quanto assustadores.

    - O que é isso?- Falava enquanto olhava para a luz.

     A luz começou a tomar forma e abriu uma brecha nela. E nesse momento fui sugada com muita força para dentro dela.

    - Ahh! – Gritava, tentando me segurar em qualquer coisa. – POR QUE FUI PEGAR ESSA TESOURA?!

    Não consegui me prender a nada no quarto, então acabei entrando naquela luz maluca.

    Lá dentro era muito diferente do que estava acostumada. Era tudo feito de doces!

    - Senhor! Acho que preciso trocar de calças... - Olhei ao redor pasma – Meu sonho de ter comida para sempre se realizou!

    Foi aí que senti um braço firme no meu ombro, olhei para trás e era uma princesa muito elegante. Peraí! Uma PRINCESA!?

    - O-oi.- Disse e fiz um sorriso torto.

    - Olá! Creio que você tenha algo que me pertence - Ela dizia enquanto fazia um gesto com as mãos em direção a tesoura.

    Entreguei a tesoura a ela e olhei ao redor. Onde é que eu estava? Como vou voltar para a minha casa?

    - Siga-me e não se preocupe. Vou levá-la para sua casa em breve. – Ela sorriu. 

    Depois de uma pequena caminhada, já estávamos em um quarto CHIQUÉRRIMO de um castelo.

    - Antes de tudo, desculpe-me pela confusão. Essa é a minha tesoura dimensional que me leva para qualquer dimensão que queira, mas da última vez que fui viajar, na volta, acabei perdendo-a no portal.

    - Tudo bem! Desde que você me leve para a minha casa de novo.

    - Claro! – Neste momento, ela  usou a tesoura no ar e fez abrir um grande portal brilhante com a visão do meu quarto. – Adeus!

    - Adeus!- Disse e entrei no quarto animada.

    Quando olhei para trás o portal já havia se fechado. Que pena! Queria pelo menos ter visto a luz dele mais uma vez.

    - Fazer o que, né? Felicidade de pobre dura pouco.

    -Oi! Peguei sua folha!- Meu irmão segurava a folha com os trabalhos de Geografia.

    - FELIPE DA SILVA! – Disse e corri atrás dele igual a uma louca.

    Queria ter continuado na Terra dos Doces. Lá eu não teria que correr atrás do meu irmão e nem fazer trabalho de Geografia! 

 

  

Lívia Keller  cursa o 7º ano e escreve regularmente neste espaço.