As Cruzadas II - Luiza Barbieri

19/06/2013 21:27

 

Na madrugada escura e peculiar de 1333, há uma pequena e humilde cabana no topo de uma colina. E um fato há de acontecer e que mudará o rumo de toda a história. A cabana era habitada por duas crianças de cinco anos e uma mãe, que escondiam muitos segredos. Nesta madrugada, todas dormiam até que ouviram o barulho de animais inquietos e o cheiro de madeira queimada. Acordaram em um susto.

Um grupo de homens, montados em lindos cavalos brancos, arrombaram a porta, invadiram a casa e gritaram:

"Filhas de Satanás apareçam ou as queimaremos até chegarem ao inferno"

Um rosto se destacou de toda a multidão, era o homem que liderava essa tropa. Ele era belo e possuía grandes olhos azuis.

A mãe se levantou e foi a frente gritando: "Godfrey, você sabe que me matar será sua grande maldição, morrerá ao realizar o seu maior desejo, e quando mais próximo da morte estiver, mais  irá chorar, porém somente de um lado a lágrima escorrerá. "

E assim a maldição foi dita, mas ele se sentiu ameaçado e partiu para cima dela com uma espada cortando-lhe o pescoço e falando-lhe uma única frase: "Morgana... Sempre te amei e para sempre a amarei.”

Godfrey abandonou a casa e deixou para os seus capangas uma única ordem de comando: "Façam o que quiserem com as pestes".

Os capangas, daquele que matara a mãe, invadiram a casa. E com uma única flecha acertou de raspão os dois pescoços criando assim uma mesma marca.

... 1349...

E então, elas acordaram com a respiração ofegante do sonho que se repete há dezesseis anos.

Nadiny: Ainda está turvo.

Elizabeth: Mas está melhor que na semana passada, pelo menos conseguimos ver o rosto daquele que matou nossa mãe.

Nadiny: E o nome também. Acho que era Gofrey, Godrey...

Elizabeth: Godfrey

Nadiny: Este nome não me é estranho... Não é o mesmo nome do cruzado? Soube que ele possui um filho. – E assim, juramos vingança. Temos que encontrá-lo! O amaldiçoaremos para que queime no fogo do inferno e que seus ossos sejam alimentos de satã.

E assim foi dita mais uma maldição, daquelas que nas veias corriam o sangue daquela que foi morta por Godfrey.

Os olhos de Elizabeth se vidram para o nada.

Nadiny: Irmã, está tendo outra visão?

Elizabeth: Hoje chegará dos mares a morte.

                Em que ninguém é poupado...

                Criança ou idoso.

                Rico ou pobre.

                Rei ou camponês.

                Uma peste irá se alastrar

                E dizimará.

                Onde haverá abandono

                E só se enxergará a tristeza profunda

                Nos olhos de mães e esposas,

                De filhos

                Maridos, e pais.

Elas ouvem alguém batendo na porta.

Elizabeth olha para Nadiny em mais uma de suas visões: É ela... – a visão estava turva e sombria – a mulher que pode significar a nossa morte em agonia, ou a nossa vitória na riqueza... Sibyla.

Elizabeth diz em alto e bom tom: Entre!

Uma mulher elegante e bonita entrou aos prantos e segurou os ombros de Elizabeth desatando a chorar: Meu filho... O Satã o amaldiçoou... Uma pequena criança – a mulher diz entre soluço, balançando Elizabeth pelo ombro cada vez mais – você tem que salvá–lo... Ouvi muito a seu respeito e dos seus dotes medicinais... Você precisa me ajudar.

Nadiny: O que está acontecendo? - perguntou em tom de dúvida.

Sibyla: Uma doença...

Elizabeth: A peste.

E então foram as três mulheres caminhando pelo castelo. Mas o que essas mulheres não sabiam era que suas vidas estavam prestes a mudar pelo resto de suas vidas.

Por onde Sibyla passava, camponêses e nobres ajoelhavam-se.

Nadiny: Afinal que é você? Porque por onde você passa nobres e pobres ajoelham-se?

Sibyla: Pode-se observar que a senhorita não sai muito de casa.

Elizabeth: Realmente não saímos muito de casa, mas a senhora é a rainha Sibyla, casada com Baillian o primogênito de Godfrey- Falou Elizabeth para ver se a sua irmã desconfiava do recado.

Nadiny e Elizabeth trocaram olhares maliciosos de pura compreensão.

Quando Sibyla parou se depararam com um lindo e majestoso castelo.

Sibyla: Então chegamos, levá-las-eis ao quarto de meu filho.

Entrando no castelo, as irmãs ficaram abismadas pela grandeza do castelo, e foram subindo uma longa escadaria, guiadas por Sibyla.

Sibyla: Meu marido estará presente enquanto você examina meu filho na presença de sua irmã – disse ela, olhando para Elizabeth e voltando a chorar.

Ao entrarem no quarto a visão de Bayllian nocauteou as duas jovens adultas, principalmente Nadiny que se apaixonou pelo rapaz imediatamente.

Nadiny: Ele é lindo - sussurrou Nadiny para Elizabeth.

O jovem rapaz olhou para Elizabeth: Você deve ser a tão falada Elizabeth com seus dotes medicinais. Eu lhe imploro que descubra o que há de errado com o meu filho e salve-o deste destino que não o merece.

Elizabeth: Farei o que posso.

Ao se levantar para examinar o bebê, Elizabeth quase desmaiou... Era uma imagem horrível de caroços no corpo da criança de apenas dois anos... os caroços estavam negros e saindo muito pus.

Dia após dia de tratamento, e uma grande higiene, o menino foi melhorando.

Mas neste mesmo período de tempo, Nadiny estava altamente apaixonada por Baliyan e via que a grande fonte de união entre o lindo rapaz e Sibyla era a criança infeliz, então para ela só havia uma única opção: Matá-lo.

Depois de exatamente um mês, o dia acordou nublado e triste, Sibyla realizou a sua mesma rotina de sempre: levantar da cama, se trocar e abrir a cortina da janela. Porém, neste dia em especial, havia algo diferente na janela e a visão da cabeça decapitada de seu filho, no parapeito da janela, a fez dar um grito de terror e desmaiar.

Elizabeth e Nadiny estavam na sala de jantar do castelo tomando o café da manhã, quando ficaram sabendo da triste notícia.

Elizabeth ficou inconsolável, pois, após dias e dias de tratamento com o menininho, ela acabou tendo afinidade por ele  e começou a amá-lo como um filho. E  Elizabeth, que de burra não tinha nada, já havia observado o movimento de sua irmã.

Elizabeth: Nadiny! Eu não acredito que vossa mercê foi capaz desta barbaridade... Você está indo para o mal, está realmente virando filha de satã e tudo isso por um homem casado.

Nadiny: Irmã, você se apegou muito àquela criança e, além do mais, isso era necessário.

E, neste momento, viram um vulto saindo de trás da porta: Era Sibyla, a mãe da criança.

Sibyla: Sua habitante do inferno- disse referindo- se a Nadiny – Você matou meu filho... o primogênito do meu marido e pagará com as consequências.

Elizabeth tem outra visão: A profecia começa a se realizar

        E a inocente em nome da culpada morrerá.

        O fim a vida pode-se enxergar.

        E a morte chegará.

        Onde a criança será o fim da linha.

        E por ganância morreu...

        E por ela todos morreram.

Nadiny ficou furiosa ao perceber que essa profecia estava relacionada com a morte de sua irmã e com a sua, causada por Sibyla. E então uniu os seus poderes e voltou-se contra a mão do bebê. Sibila voou para o outro lado da sala e caiu ensanguentada gritando aos soldados:

Bruxa! Bruxa... Filha de Satã!

E então, é assim que tudo acaba, com as duas irmãs sendo queimadas na fogueira,  morrendo e agonizando até se separarem pela primeira vez: Elizabeth vai para o purgatório e Nadiny para o inferno.

 

Luiza Barbieri – EF71