A morte e a memória

30/06/2014 21:20

 

Na maioria das vezes eu opto por escrever sobre assuntos que conheço, com os quais posso ter mais confiança. Hoje não procuro fazer isso, afinal, o que é uma vida sem riscos? Então, introduzindo meu assunto: nada melhor para falar da morte do que falando da própria vida. O que acontece depois que o nosso coração para e temos rochas e terra pressionando a caixa de madeira, em que ficamos depois da morte, é um segredo, mas muitos veem como um momento oposto à vida, quando, na verdade, talvez seja só um complemento.

A morte tem a extraordinária qualidade de trazer o melhor que os humanos podem oferecer: humildade, força, união e principalmente a superação. Pode levar dias, meses e até anos, mas as pessoas continuam indo aos supermercados, continuam estudando, trabalhando e fazendo várias outras coisas, até que um dia elas simplesmente esquecem. Esse esquecimento que é o verdadeiro inimigo do ser humano. O ódio não é a coisa mais perigosa que existe, tampouco o amor, ou qualquer outro sentimento, salvo a indiferença. Esse sim é um sentimento que atravessa os homens feito uma navalha, dividindo tudo em dois, deixando o passado de um lado e o futuro do outro, assim, a indiferença cresce no vazio que há no meio, como uma torre, pronta para ser escalada.

O pior de tudo é que não há nada que possamos fazer, sempre vai existir esse vácuo depois da morte. O que quero dizer é que mesmo que não exista maneira de documentar ou provar o que existe depois, não faz muita diferença, o vazio vai existir sempre, pelo menos em alguma parte, entre as pessoas que conviviam com aqueles que já se foram.

No entanto, isso também não faz diferença. Nós temos a chance de viver e de mostrar ao mundo quem somos pelo menos no breve momento que estamos aqui. Mesmo que não seja por muito tempo, e acredite, é muito pouco tempo, vale a pena viver o máximo nesse pouco tempo, porque depois não há mais nada. É engraçada a vida, ela dilacera nossos corpo por dentro e por fora e, às vezes, só pensamos: isso vai me matar, com certeza vai me matar, e é nesse momento que percebemos que na verdade, não nos importamos.

 

Giordano Devêza é aluno do 9º ano e escreve mensalmente neste espaço.