A beleza das palavras de Machado de Assis

15/05/2014 19:51

 

 

É impressionante a variedade de palavras que podem expressar uma única coisa. Não sou linguista, talvez seja um tolo sobre o assunto, ou inepto. Quem sabe posso dizer até que sou ignorante em relação a ela, mas não podem todas essas palavras significarem apenas uma coisa? Essa variedade existe para dar um sentido mais completo às concepções e frases, talvez elas mudem por causa de um simples sujeito, e às vezes, o que as separam não passa do passado. É tudo tão complicado, o jeito como o passado continua a influenciar tudo o que acontece agora, especialmente no modo de falar e de escrever. Veja bem, há 100 anos este texto traria termos quase irreconhecíveis para os jovens de hoje, sem mudar nada em seu sentido.

Disse uma vez um pensador famosíssimo que qualquer tolo inteligente pode criar coisas grandes, complexas e violentas, mas é necessário um toque de genialidade e muita coragem para ir na direção contrária. Simplicidade, um conceito que eu reconheci pela primeira vez e com uma clareza absoluta quando li a fantástica obra de Machado de Assis, Dom Casmurro, cuja história é tão simples e ainda assim emocionante. Genial da parte do autor esconder a complexidade dos textos, o que chega a ser mais impressionante do que a simplicidade propriamente dita. O que quero dizer é que durante a leitura, apesar da história clara do garoto apaixonado que deveria ser padre, é possível notar o mar de dificuldades e desconfianças na mente do autor, o que não passa da própria complexidade disfarçada.

Não era minha intensão dedicar um texto inteiro para falar dessa obra, mas simplesmente me pareceu necessário, e sem nada de complexo por trás disso. É necessário uma parada para apreciar a escrita desse fantástico escritor, da mesma maneira que Bentinho reconhece no mar a personalidade de sua própria esposa. Não se trata apenas das memórias de um velho acabado e destruído pela própria mente atrás de uma resposta que nunca poderia conseguir, mas sim das libertações da infância, da infinidade da adolescência, da essência da maturidade, tudo isso escrito de uma forma calma e simples, é impressionante.

Para não dizer que esse texto é apenas a resenha de um livro, ou quem sabe uma indicação, incluo neste último parágrafo uma frase muito famosa: a beleza ideal está na simplicidade calma e serena. E ainda digo que há grande razão nessas palavras iguais que nos circundam, que não se contam histórias somente com frases, mas também com palavras, palavras antigas, palavras com essência, e que essa é a verdadeira beleza, o restante é somente aparência.

 

Giordano Devêza é aluno do 9º ano e escreve mensalmente neste espaço.