10. OOO A.C.- A Grande Enchente - Isabela, Helena e Carolina.

18/06/2013 20:54

 

10. OOO A.C.- A Grande Enchente

 

(N.) Muitas luas se passaram desde a guerra e novos acontecimentos as acompanharam: D’ leh e Evolet guiaram os Iagala um novo vale, onde estava sempre sol. Neste vale, existia um lago belo e cristalino. Com a ajuda do lago e das técnicas de irrigação e plantio que aprenderam com os “egípcios” e com a tribo Naku, eles cultivaram plantas por todo o vale. Além disso, no vale existiam muitos animais (lobos, cães e até mannaks) que eles aprenderam a domesticar e que os ajudavam no dia a dia. O vale ainda contava com uma grande vantagem: por ser entre montanhas e só existir uma entrada/saída, ele era protegido dos inimigos.

(N.) Com o passar dos anos, eles passaram a desenvolver casas, planejaram a roda e começaram a planejar cidades.

(N.) Não foi só a tribo que se desenvolveu: D’ leh e Evolet criaram uma família: tiveram duas filhas e um filho, chamados Marinneh (a mais jovem, com 7 anos), Pinny (a filha do meio, com 11 anos) e Midraxe (o mais velho, com 17 anos). Por ser o único homem e o mais velho, Midraxe estava destinado a ser o líder da aldeia.

(C.D.) D’ leh e seu filho Midraxe, ensinando-o a caçar em uma parte mais afastada do vale.

- Tem que ficar bem abaixado, esperando até o animal se descuidar.

- E o que eu faço depois, pai?

- Quando encontrar o momento certo, você salta e prende o animal. Desse... Jeito!

(C.D.) Com esta deixa, D’ leh saltou sobre um cão selvagem, laçando seu pescoço e o amarrando em uma árvore. Midraxe, ao mesmo tempo admirado com seu pai e decepcionado consigo mesmo, disse:

- Eu nunca conseguirei fazer isso...

- É claro que vai! Você será em grande líder e um ótimo caçador!

- Mas... Mas eu não gosto de caçar! Eu prefiro cuidar dos animais! Eu... Eu consigo ouvi-los falar... (quase sussurrando)

(C.D.) D’ leh, surpreso, não sabia o que dizer. Foi bem neste momento que chega Baku gritando:

- Água! Água! Corram!

- O que ouve Baku? – Disse D’ leh, preocupado.

- Eu estava nas montanhas, procurando alguns animais. Foi quando eu vi! Veio daquela direção! (apontando pro leste) Também vi muita água caindo do céu junto dela! Deve ser isso que a criou! Escute! - Todos ficaram em silencio e escutaram.

- Parece o barulho de mil cascos! - Disse Midraxe.

- Corram! Corram! Água! Corram para as montanhas! - gritava D’ leh indo em direção ao centro do vale.

(C.D.) Começou então, um alvoroço na aldeia. Pessoas corriam de lá pra cá tentando encontrar suas famílias.

(C.D.) Midraxe também começou a ir em direção a sua casa. Já estava quase chegando quando se virou para trás e viu o lugar onde ele e seu pai haviam estado. Ainda amarrado a árvore, estava o cão que seu pai havia capturado.

(C.D.) O cão parecia desesperado. Midraxe se concentrou e conseguiu ouvir o que o cachorro dizia:

- Socorro! Por favor! Ajudem-me! Eu não quero morrer! Socorro!

(N.) Ninguém mais podia ouvir o cachorro, porque, além de estarem muito ocupados se desesperando, Midraxe era o único que podia ouvi-lo, pois tinha nascido com um dom especial: o dom de falar com os animais.

(C.D.) Enquanto Midraxe corria para salvar o cão, o som da água aumentava cada vez mais.

(C.D.) Quando a maior parte dos aldeões estava em segurança nas montanhas, D’ leh notou que Midraxe não estava entre eles. Ele o avistou e correu para ajuda-lo a desatar o nó.

(C.D.) Depois de soltarem o cachorro, os três correram em direção as montanhas. No caminho, Midraxe tropeçou em um galho e torceu o tornozelo, mas conseguiu continuar. Neste momento, a água chegou ao vale.

(C.D.) Chegando nas montanhas, Midraxe passou o cão para sua irmã, Pinny, que estava logo acima deles.

(C.D.) Já quase no topo, D’ leh deu um passo em falso e escorregou, ficando pendurado pelo braço que Midraxe segurava, mas com grande dificuldade, pois seu tornozelo torcido não dava grande apoio.

- Solte-me!

- Não! Nunca!

- Solte-me! Seu tornozelo torcido não irá aguentar e nos dois cairemos!

- Mas... Mas a tribo não sobreviverá sem você! Nem nossa família!

- Lidere-os! Vão para a tribo Naku, eles são nosso amigos e os ajudarão!

(N.) Midraxe então tomou a maior decisão de sua vida: decidiu soltar seu pai em direção a morte.

(C.D.) Lágrimas caiam de seus olhos enquanto observava seu pai cair na água.

(C.D.) Evolet que observava tudo de cima, não aguentou de tristeza, pois sabia que não conseguiria viver sem seu verdadeiro amor. Então, em um gesto de profundo desespero, soltou-se da parede da montanha, indo de encontro ao amor de sua vida.

(C.D.) Midraxe, que já havia terminado de subir a montanha, foi de encontro com suas irmãs para lhes consolar, mesmo ele próprio estando arrasado. Não acreditava que havia perdido seus pais em questão de minutos.

(N.) Midraxe não era o único que estava arrasado com a morte de seus pais: muitos da aldeia (além de suas irmãs) choravam a morte de D’ leh e Evolet. Não apenas por perderem seus líderes, mas por perderem verdadeiros amigos.

Depois de se recompor, Midraxe observou a população que indagava:

- O que faremos agora?

- Para onde nós iremos?

- Quem será o nosso novo líder?

(C.D.) Midraxe , juntou toda a sua coragem e respondeu todas as perguntas de uma só vez :

- Nós vamos para Naku. –Olhou novamente para todos e completou – E eu serei o seu líder.

Fim do filme 2!

 

Isabela, Helena e Carolina.