A Sociedade das Mulheres - Parte I

03/06/2012 17:24

 

 

PARTE I

    Qual ano era, não importava mais. Qual dia da semana, qual dia do mês, ou mesmo que mês. O tempo era irrelevante na sociedade das mulheres. Uma época no futuro que remetia o passado, mas era a evolução do presente.

    O mundo finalmente era controlado por mulheres. A diminuição do que é feminino chegara ao fim. Elas venceram as guerras que disseram que elas não podiam lutar, munidas das armas que as proibiram de usar, usando as estratégias que acreditavam que elas não pudessem pensar.

    Disseram-nas que o fim do mundo aconteceria pelo egoísmo e ganância dos homens, então elas os extinguiram. Desenvolveram tecnologias revolucionárias, inacreditáveis. Descobriram técnicas antes impossíveis, redescobriram a vida e seus padrões. Eliminaram as regras inaplicáveis, extinguiram as práticas que abominavam. Ninguém mais seria melhor do que qualquer outro ser vivo. Amor não seria por gêneros. O material não seria mais prioridade. O meio de vivência externo – o meio ambiente – valeria muito mais do que todas as vidas humanas que se acharam um dia mais importante que ele.

    As novas amazonas tomavam conta do mundo utilizando as novas técnicas e disciplina espartanas e seguindo a nova filosofia estoica. Elas eram fortes, tanto exterior quanto interiormente falando. Resistentes, austeras, autoritárias, sensíveis, invencíveis. Elas não odiavam. Tiveram de lutar, usar força e violência, mas não porque queriam e sim porque as circunstâncias exigiam. Era necessário a evolução, a sobrevivência e transcendência. A felicidade estava em jogo. Mas a características base e, logo, fundamental para a permanência da sociedade das mulheres era o amor. Já existiram mundos que guerreavam, que odiavam, que não sentiam, que exploravam, que não se importavam, que davam prioridade ao superficial. Esses mundos não foram bem sucedidos, existiram por um tempo e foram extintos por pessoas que acreditavam que poderia haver um mundo melhor. Mas ninguém pensou no amor. O segredo era o amor, ele era a chave para a evolução, para o poder, para a vida em eterna felicidade.

    Todas se amavam e amavam a tudo. Acreditam principalmente no único, na singularidade em conjunto formando o inteiro. Eram dualísticas, davam prioridade ao equilíbrio. Amavam umas as outras de forma fraternal, eram uma espécie de irmandade. Estavam dispostas a oferecer a vida em troca da vida de outra, e direcionavam sua felicidade de forma que esta se adequasse à felicidade coletiva.

    Margareth era uma mulher da sociedade das mulheres. Ela estava grávida pela última vez. Ela parecia esteticamente muito jovem, mas sabia que restava muito pouco tempo de fertilidade. Afinal, o corpo não obedece à estética. Estava na última semana e sua barriga estava tão grande que era praticamente impossível qualquer forma de locomoção. Recebia auxílio de todas as outras mulheres para o que precisasse, seja para se alimentar ou seja para suas necessidades fisiológicas básicas. Todas acompanhavam de perto e já amavam a nova vida que Margareth traria ao mundo.

    Na sociedade das mulheres existiam homens e estes recebiam o mesmo amor que elas nutriam pelos seres vivos. Mas eles tiveram de ser adaptar as condições do meio para sobreviver. É a evolução natural do ser humano. Possuíam aparência andrógena e se comportavam exatamente como as mulheres. A sua quantidade de hormônios masculinos era bem reduzida, por isso quase não possuíam pelos e sua voz não era mais tão grave. Eram facilmente percebidos como homens simplesmente porque não possuíam seios, ao contrário da maioria das mulheres que possuíam seios fartos e bonitos.

    Esses homens eram quase em mesmo número que as mulheres e suas funções na sociedade eram ligadas ao sexo e reprodução. Proporcionavam prazer às mulheres, tratavam-nas como deusas. Eles as veneravam e faziam isso simplesmente porque era assim que se sentiam felizes, as mulheres não os obrigavam a nada. Mas outra característica base presente na sociedade das mulheres é que elas eram independentes em todos os aspectos. Trabalhavam; cuidavam de sua aparência, saúde, higiene, alimentação e vestuário; administravam seu dinheiro muito bem... E elas davam prazer a si mesmas, tanto sozinhas quanto acompanhadas de outras mulheres e/ou homens. Elas faziam o que as tonavam felizes. 

                                                                                                                                                                                      Fernanda Moreira